Parlamento dos Açores contesta pedido de inconstitucionalidade sobre o mar
21 de jun. de 2024, 18:47
— Lusa
De acordo com o
parecer, elaborado pelo constitucionalista Rui Medeiros e analisado por
aquela comissão, os artigos 11.º e 12.º do Decreto Legislativo Regional
n.º 8/2020/A, que foram contestados pelo ex-primeiro-ministro no final
da anterior legislatura, “são totalmente conforme o quadro
constitucional aplicável”.“Por esse
motivo, o pedido para que seja reconhecida a inconstitucionalidade
desses preceitos deve ser recusado”, refere o documento a que a Lusa
teve acesso e que será agora enviado ao Tribunal Constitucional (TC).Segundo
o professor catedrático Rui Medeiros, o referido diploma visa apenas
permitir a “desafetação de um bem que integra o domínio público
cultural, de titularidade regional, inexistindo, portanto, qualquer
inconstitucionalidade por violação das regras relativas à titularidade
estadual do domínio público marítimo”.Nesse
sentido, o constitucionalista entende que o pedido de fiscalização da
constitucionalidade daquelas normas, formulado pelo anterior
primeiro-ministro no último dia em que esteve em funções, deve ser
considerado “totalmente improcedente”.Na
carta enviada, na altura, ao TC, António Costa levantava dúvidas sobre a
inconstitucionalidade daquele diploma açoriano, alegando três razões:
que o domínio público marítimo era titularidade do Estado; que as
regiões autónomas não podiam legislar sobre esta matéria; e que as
normas em causa violavam a Constituição.“A
verdade, porém, é que nenhum destes argumentos procede, sendo os
dispositivos legais em causa totalmente conformes ao quadro
constitucional aplicável”, alega agora Rui Medeiros, no parecer assumido
pelo parlamento açoriano.Na sua opinião, a
Assembleia Legislativa dos Açores, ao aprovar tais dispositivos, “não
está a regular uma matéria respeitante ao domínio de outra pessoa
coletiva, o Estado, como é o caso do domínio público marítimo”, mas
apenas a permitir a desafetação do leito ou da margem de águas sujeitas à
influência das marés.No final da reunião,
o presidente da Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, o social-democrata Flávio Soares, lamentou
que o pedido formulado pelo anterior primeiro-ministro sobre esta
matéria seja uma demonstração de que “ainda temos muitos centralistas
pelo nosso país”.