Parlamento dos Açores chumba revisão urgente do acordo das Base das Lajes
Hoje 09:54
— Lusa/AO Online
O projeto de resolução, que foi
votado no plenário da Assembleia Regional, na Horta, recebeu o voto
favorável do proponente, os votos contra de PSD, PS, CDS-PP, PPM, BE e
PAN e a abstenção da IL.No diploma, o
Chega recomendava ao Governo dos Açores que
“desencadeasse, com caráter urgente, junto do Governo da República, um
processo de renegociação” do Acordo de Cooperação e Defesa com os
Estados Unidos.O Chega pretendia, também,
que do acordo resultasse um “regime de contrapartidas financeiras
concretas, regulares e previsíveis”, o “reforço da participação política
e institucional” da região nos mecanismos de avaliação do acordo e a
“adoção de medidas concretas de promoção do emprego local”.“Os
Açores são estratégicos quando convém à República, mas são esquecidos
quando chega a hora das contrapartidas. Isso tem de acabar”, criticou o
deputado do Chega José Pacheco.No debate, o
secretário dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do Governo Regional considerou “importante revisitar o acordo”, mas
defendeu que “este não é o melhor contexto”.“É evidente que este não é o melhor momento. Neste momento não temos um quadro internacional definido”, avisou Paulo Estevão.O
deputado do PS Vasco Cordeiro considerou a proposta do Chega como
“politicamente desonesta” e alertou que a aprovação do diploma impediria
a possibilidade de explorar “outras abordagens” na relação com os
Estados Unidos ao nível da “componente ambiental, laboral ou dos
impactos sociais e económicos”.“Nós não
queremos que, no caso concreto da autonomia dos Açores nessa matéria,
que este assunto se resuma à coluna do deve e do haver”, avisou o
socialista e antigo presidente do Governo dos Açores.O
líder parlamentar do PSD, Bruto da Costa, também alertou para os riscos
de uma “negociação de mercearia” com base no “deve e no haver” e
defendeu que não deve ser feita uma revisão do acordo em “pleno contexto
de guerra” no Irão.António Lima (BE)
disse não ver nenhum benefício em negociar com a atual administração
americana, tal como Pedro Pinto (CDS-PP) que afirmou que do “lado do
interlocutor não existe alguém com sensibilidade para os argumentos” dos
Açores.Já o liberal Pedro Ferreira
considerou que esta é a altura para “definir pensamento” e “preparar uma
necessária revisão” do acordo, enquanto Pedro Neves (PAN) afirmou que
tentar abrir a negociação nesta altura “não dignifica” a região.No
último dia dos trabalhos do plenário deste mês, os deputados também
aprovaram por unanimidade o pedido de urgência da proposta do PS para
criar um Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, o que, segundo o
partido, vai permitir que o decreto seja discutido no plenário de maio.Em
comunicado, a Associação de Alojamento Local dos Açores, a Câmara de
Comércio e Indústria dos Açores, a Federação Agrícola e a Associação da
Hotelaria de Portugal consideraram que a aprovação da urgência
“representa um sinal claro de reconhecimento da importância do tema”.“Trata-se
de um momento relevante para a região, que poderá, num curto espaço de
tempo, dotar-se de um instrumento fundamental para reforçar a sua
capacidade negocial e competitividade no setor do turismo”, defendem
aquelas instituições.