Parlamento dos Açores chumba proposta para fixação de preços
21 de abr. de 2023, 17:13
— Lusa
“O que
propomos é que, sempre que se verifique um aumento superior a quatro por
cento na taxa de inflação dos produtos alimentares, seja definido pelo
Governo um cabaz de produtos, com preços controlados”, justificou
António Lima, deputado bloquista, durante a apresentação da iniciativa
na sede do parlamento, na Horta.Segundo
explicou, esse cabaz de compras deveria incluir, por exemplo, peixe,
carne, legumes, fruta, cereais e alimentos específicos para crianças, de
forma a que “todas as famílias” pudessem comprar produtos essenciais
para uma “alimentação equilibrada”, a preços acessíveis.O
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Duarte Freitas, garante que o Governo Regional tem estado a acompanhar a
evolução dos preços dos produtos praticados na região, adiantando que
já marcou uma reunião com as associações de consumidores e comerciantes,
para a próxima semana, para analisar o assunto.“Convoquei
uma reunião com a ACRA (Associação de Consumidores da Região Açores), e
com as associações comerciais, reunião essa que terá lugar na próxima
semana, para poder fazer a alteração das portarias”, explicou o
governante, referindo-se às portarias que regulam as margens de lucro
dos bens essenciais na região.José
Pacheco, deputado do Chega, concorda que se controlem as margens de
lucro do comércio regional, em produtos alimentares, mas já não aceita
que se fixem preços, ao estilo comunista, como pretende o Bloco de
Esquerda.“Vinte por cento, trinta por
cento, aceitamos a discussão”, frisou o parlamentar do Chega,
adiantando, no entanto, com ironia, que fixar preços “é naquele outro
país, que se chama Venezuela”.Também Nuno
Barata, da Iniciativa Liberal, discorda da solução proposta para Bloco
de Esquerda, e diz que isso só iria promover “o mercado negro, a
economia paralela e a racionalização de produtos”, além de considerar
que não seria “saudável” nem para as famílias, nem para empresas.Também
Vitória Pereira, deputada do PSD, contesta a solução apresentada pelo
Bloco de Esquerda, que vigora, por exemplo, na Venezuela, mas segundo a
opinião dos social-democratas, sem nenhum sucesso.“Nós
não queremos que os açorianos passem por esta triste realidade, a
escassez de produtos nos supermercados”, sublinhou a deputada
social-democrata, mostrando uma fotografia, na sala de plenário, com
prateleiras vazias em superfícies comerciais na Venezuela, considerando
que “não é desta forma” que se vai atingir o “equilíbrio de mercado”.Pedro
Neves, do PAN (partido das Pessoas, Animais e Natureza), foi o único a
votar a favor da iniciativa do Bloco, além do proponente, por entender
que as soluções adotadas pela República, ao nível fiscal, não estão a
ter efeitos práticos no bolso dos cidadãos.“O
IVA zero não faz absolutamente nada, a não ser para os cofres do Estado
e para os cofres da região, por que os consumidores, em si, não vão ser
beneficiados em quase dinheiro algum com o IVA zero”, insistiu o
parlamentar do PAN.Rui Anjos, da bancada
do PS, socorreu-se dos pareceres das associações empresariais da região,
para discordar da iniciativa do BE, concluindo que “não é a altura para
controlar preços” por que isso poderá provocar “distorções no
funcionamento do mercado”.Também Paulo
Estêvão, deputado do PPM, disse não acreditar na eficácia da medida
preconizada pelos bloquistas, afirmando que “o problema só se resolve”,
se houver também uma intervenção ao nível do fornecimento, e não apenas
na comercialização, algo que admite não haver “capacidade” de alcançar.A
proposta do BE, para estabelecer um regime jurídico de preços de bens e
serviços vendidos na região, acabou rejeitada pela maioria dos partidos
com assento parlamentar, obtendo apenas os votos favoráveis do BE e do
PS e a abstenção do Chega.