Parlamento dos Açores “chumba” petição sobre revisão do sistema eleitoral
21 de mai. de 2021, 14:57
— Lusa/AO Online
A proposta tem como
primeiro subscritor o economista Mário Fortuna, militante do PSD,
professor universitário e presidente da Câmara de Comércio e Indústria
de Ponta Delgada, além de empresário e de já ter assumido funções
governativas em executivos social-democratas.Defende-se,
entre outras matérias, a criação de círculos eleitorais coincidentes
com as 19 autarquias dos Açores, "atribuindo-lhes a sua quota parte, na
ilha, dos mandatos calculados na base de um número mínimo de dois por
ilha, a que acresce mais um por cada 10.000 habitantes".As petições não são votadas, sendo apenas discutidas.No
plenário da Assembleia Legislativa Regional, a decorrer na cidade da
Horta, o deputado do PAN, Pedro Neves, considerou que esta petição é uma
“tentativa de beneficiar os maiores partidos” e destacou o
“vanguardismo do sistema eleitoral regional em Portugal”.O
parlamentar salvaguardou que a proposta põe em causa o “pluralismo do
parlamento regional” e a proporcionalidade de ilha quando se aumenta os
círculos eleitorais de 10 [um por cada ilha e o círculo de compensação]
para 19.O deputado social-democrata Bruto
da Costa referiu que o sistema eleitoral dos Açores “não é mau de todo”,
que é um “bom sistema, que tem de ser melhorado”, e que garante a
“maior representatividade” através dos círculos de ilha, que considerou
ser essencial manter.Carlos Furtado do Chega declarou que a criação de 19 círculos eleitorais “vai tirar
dimensão aos partidos mais pequenos”, mas reconheceu que nos Açores o
“número de deputados (57) é demasiado em função da dimensão
demográfica”.Pelo maior partido da
oposição (PS), Bárbara Chaves disse que não se pode “partilhar a visão
catastrófica apresentada na exposição de motivos” da petição, que
“enferma de erros e omissões”.De acordo
com a socialista, a “eliminação de círculos eleitorais subverte a
autonomia regional”, considerando que as contas foram “feitas em cima do
joelho” em termos de proporcionalidade.O
parlamentar do Bloco de Esquerda António Lima considera que a petição de
Mário Fortuna “parte do pressuposto errado de que a abstenção se deve
ao sistema eleitoral e gera longas maiorias absolutas na região”.Segundo
o deputado, os círculos de ilha “são naturais e não artificiais”, sendo
que, na sua opinião, a proposta introduz uma “deturpação e
desproporcionalidade no sistema eleitoral” com penalização da
representatividade dos partidos denominados mais pequenos.A
Iniciativa Liberal, através do deputado Nuno Barata, considerou que a
proposta de Mário Fortuna - que disse se inspirar no modelo
norte-americano - é “leviana quando usa o pretexto de que se parou em
1980”, não sendo “intelectualmente honesta”, sendo que desta forma
“metade dos partidos não estariam no parlamento”.O
centrista Pedro Pinto disse que o atual parlamento regional é “robusto e
permite a pluralidade", e que com a proposta de redução de 57 para 40
deputados “muitos partidos deixariam de estar representados”, ficando,
pelas suas contas, apenas quatro.Paulo
Estevão, do PPM, afirmou que o atual modelo, assente em nove círculos
eleitorais, é de “grande representação proporcional e territorial”,
tendo subscrito a proposta da petição de criação listas de cidadãos
independentes ao parlamento regional, de partidos regionais e do círculo
eleitoral pela diáspora.