Parlamento dos Açores aprova voto de saudação pelo centenário de Mário Soares
12 de dez. de 2024, 18:35
— Lusa/AO Online
“Se fosse vivo, Mário Soares teria
completado 100 anos. A ausência física não faz desaparecer os exemplos
nem os ensinamentos, que permanecem. Não elimina os valores, que
perduram. Na luta contra a ditadura e no exílio, mostrou-nos que a
coragem é a principal arma de um homem e a liberdade o principal valor
de uma sociedade”, disse a deputada do PS Marta Matos, na leitura do
voto de saudação na sessão legislativa de dezembro do parlamento
regional açoriano, na Horta, ilha do Faial.O
grupo parlamentar do PS açoriano lembra no texto que as notas
biográficas e os cargos ocupados pelo antigo presidente da República
“não definem nem descrevem o Homem, cuja vida e cuja história se
confundem com a própria história contemporânea de Portugal” e com a
construção da democracia.“Nem sempre
pacífica e escorreita, a sua relação com os Açores não deixou de ser
marcante, tendo reconhecido a importância do arquipélago para o
desenvolvimento e unidade do país, valorizando a autonomia regional e o
papel das comunidades açorianas na diáspora”, disse Marta Matos.A
parlamentar referiu ainda que o fundador e líder histórico do PS “deve
servir de exemplo a todos aqueles que servem a causa pública, porque o
seu legado é não só atual, como é também necessário”.Pelo
PSD, o deputado Paulo Simões afirmou que Mário Soares foi “um defensor
acérrimo da democracia” e lembrou que esteve no arquipélago em algumas
ocasiões, como na inauguração da sede do parlamento regional.O
deputado único do BE, António Lima, também se associou ao voto de
saudação e disse que o antigo Presidente da República foi “uma das
grandes figuras do século XX português” e um “lutador pela democracia”.Pedro
Neves (PAN) votou a favor “apenas pelo grande homem que Mário Soares
foi, genuíno, honrado, corajoso, audaz” e porque “conseguiu mudar
Portugal para melhor”.O parlamentar do PPM, Paulo Margato, também destacou Mário Soares como sendo “um pilar da democracia”.Pelo
CDS-PP, Pedro Pinto afirmou que o voto de saudação apresentado pelo PS
“evoca a memória de um grande político de Portugal contemporâneo” e “uma
figura histórica e incontornável” do país.A
deputada do Chega, Hélia Cardoso, referiu que o partido não se
associava à iniciativa porque não concordava com a “divinização” de
Mário Soares.Mário Soares nasceu a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 07 de janeiro de 2017, aos 92 anos, em Lisboa.Advogado,
combateu a ditadura do Estado Novo, foi fundador e primeiro líder do
PS. Regressado do exílio, em França, após o 25 de Abril de 1974, foi
ministro dos Negócios Estrangeiros, primeiro-ministro e Presidente da
República, durante dois mandatos, entre 1986 e 1996.Entre
outros votos apresentados, o parlamento açoriano rejeitou um de
protesto, apresentado pelo Chega, pela “inação e incompetência” do
Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).“É
frustrante que, numa Região Autónoma, com Governo próprio, com uma
Assembleia Legislativa própria e com capacidade legislativa própria, se
continue a depender da República para uma ‘simples’ avaliação de uma
candidatura, por parte de um Instituto que não conhece as
particularidades socioeconómicas e geográficas dos Açores”, disse o
deputado do Chega Francisco Lima na apresentação do documento que foi
rejeitado por maioria.O Chega vai
apresentar uma anteproposta de lei para que as candidaturas do Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR), ao nível da habitação para as
autarquias, “sejam descentralizadas do IHRU e passem a ser avaliadas na
Região, para que se acelere todo o processo”, indicou Francisco Lima.