Parlamento dos Açores aprova recomendação sobre divulgação da informação financeira da SATA
Hoje 09:33
— Lusa/AO Online
Na
apresentação do projeto de resolução, no primeiro dia do plenário de
junho, na Horta, o parlamentar do Chega Francisco Lima disse que estava
em causa o direito de os açorianos “saberem como está a ser gerida uma
empresa que lhes pertence e que tem sido sustentada com dinheiro
públicos”.A companhia aérea SATA “é
essencial à mobilidade, à economia, ao turismo e à coesão territorial
dos Açores”, salientou, considerando que a empresa “não pode continuar
rodeada de respostas incompletas, atrasos sucessivos e da invocação
permanente do segredo comercial para limitar a fiscalização
parlamentar”.Francisco Lima justificou a
apresentação da iniciativa por continuarem “por esclarecer matérias
fundamentais”, como o custo e o histórico das rotas deficitárias, os
critérios para abrir e manter rotas, encargos com aeronaves
imobilizadas, o cumprimento do plano de reestruturação e a eventual
necessidade de novos apoios da região.Ainda
segundo o deputado do Chega, a falta de transparência alimenta dúvidas
e, sabendo-se que existe informação comercial sensível, nunca foi
defendida a sua divulgação irresponsável.Contudo,
acrescentou, “há uma diferença clara entre divulgar informação ao
público e prestá-la ao parlamento que dispõe de mecanismos para
consultar documentação confidencial e reservada”.O
parlamentar recordou que em 2025 o grupo SATA apresentou um prejuízo
consolidado de 58,4 milhões de euros, defendendo que, embora esse
resultado represente uma melhoria face ao ano anterior, “um prejuízo
desta dimensão continua a exigir explicações, responsabilidades e
medidas concretas”.A iniciativa “não pretende fragilizar” a SATA e quem defende a empresa “não deve ter medo dos números”, reforçou.Pelo
PSD, Paulo Simões admitiu que o partido acompanha a preocupação do
Chega, mas alertou que “o ponto fulcral é como garantir transparência
sem colocar em risco informação que sendo tornada pública pode
prejudicar a SATA perante a sua concorrência num mercado altamente
competitivo”.O social-democrata referiu
ainda que a empresa publica todos os anos o relatório de contas e que a
administração está sempre disponível para esclarecer dúvidas, existindo
também um “escrutínio muito apertado” por parte da Comissão Europeia.O
socialista Carlos Silva contrapôs que a informação disponibilizada aos
parlamentares “nunca é suficiente” e é “relevante” para a análise da
situação da empresa açoriana de aviação, chamando a atenção para um
“padrão de incumprimento” do Governo Regional quando “responde
tardiamente” ou, em alguns casos, não responde às perguntas colocadas
pelos deputados.A resolução “representa uma chamada de atenção clara ao Governo Regional e é um alerta para uma mudança de rumo”, salientou.António
Lima (BE) corroborou que aos deputados “não deve ser negada informação”
sobre a SATA, “apesar de ela ser confidencial”, pois existem mecanismos
para tal.Relativamente às contas da
empresa, o bloquista observou que a administração transmite informação
que “muitas vezes não é totalmente correta” ou “utilizando até manobras
de marketing para disfarçar problemas que há no grupo SATA”.Por
seu lado, Nuno Barata (IL) disse que acompanhava a preocupação do Chega
porque a informação divulgada, mesmo ao parlamento, “é esquiva e
insuficiente”, embora admita que alguma informação é “sensível” e são
necessárias cautelas no acesso.Por parte
do Governo Regional, o secretário das Finanças, Duarte Freitas, explicou
que ocorreu um atraso na disponibilização de informações relativamente
ao grupo SATA, que já estão na posse dos deputados, e admitiu que a
companhia aérea regional “é o assunto mais escrutinado nos Açores”.Contudo,
insistiu, há a necessidade de ser respeitado o segredo comercial em
relação à divulgação de informação e, por isso, a informação
disponibilizada “nunca parecerá suficiente”.