Parlamento dos Açores aprova projeto de resolução da IL para redução da despesa na região
11 de set. de 2025, 09:11
— Lusa/AO Online
O
projeto de resolução foi aprovado por maioria, no segundo dia do
plenário de setembro da ALRAA, na cidade da Horta, com votos a favor de
PSD, PS, Chega, CDS-PP, PPM, IL e PAN e com o voto contra do BE. O
deputado único da IL, Nuno Barata, justificou a iniciativa com a
necessidade de a região “rever o seu plano de crescimento da receita” e
de proceder à diminuição da despesa para “reduzir a espiral de
endividamento”.“Não é fácil identificar onde cortar, mas é inevitável dizer aos açorianos que é preciso cortar”, afirmou.Para
o deputado único da IL, a realização de um plano estratégico de redução
de despesa é “uma medida fundamental para assegurar a solidez
financeira e a continuidade das operações, contribuindo para uma gestão
mais transparente e responsável dos recursos públicos disponíveis”.No
debate foram proferidas várias intervenções, a começar pelo parlamentar
Francisco Lima (Chega), que referiu que o partido se associava à
iniciativa da IL porque a proposta do executivo - anunciada na
terça-feira -, de reduzir a despesa em mais de 30 milhões de euros, em
2026, é “muito pouco”.“Antes que venham a
ser os outros [a República ou a União Europeia] a definir aquilo que
temos de fazer na nossa casa, devemos ser nós a falar do assunto”,
defendeu.Já para o socialista Carlos
Silva, a resolução da IL “continua a ser atual”, apesar do debate
realizado na terça-feira sobre o tema: “É uma inevitabilidade, nós temos
de controlar a despesa”.Para o PS, “é
preciso ter em atenção a ideia de reduzir despesa pública que implique
despedimentos” e referiu que o Governo Regional deve considerar o
parlamento “como alguém que pretende colaborar, mas para isso precisa de
informação”.Já o social-democrata Joaquim
Machado afirmou que a despesa pública é uma matéria que “convoca sempre
para uma reflexão, para um debate”, que “já está devidamente feito”,
sendo agora necessário identificar “as debilidades estruturais da
receita”.“É bem-vinda esta iniciativa do
senhor deputado Nuno Barata, e da IL, porque não só nos convoca para a
reflexão, como para encontrar mecanismos para redução da despesa onde é
possível”, afirmou o parlamentar do PSD.António Lima, do BE, notou que a proposta da IL “não diz onde quer cortar” a despesa e “essa questão é fundamental”.Acrescentou
que o problema da região “não é um problema de despesa, é um problema
de desequilíbrio entre as despesas e as receitas”, recordando que o BE
já fez propostas que aumentam a despesa e outras destinadas à sua
redução.Por sua vez o parlamentar do
CDS-PP, Pedro Pinto, disse que o partido não se revê na “visão de
catástrofe” relativa ao corte de despesa traçada pela IL, admitindo que o
isolamento do território, no meio do atlântico, tem sempre que “entrar
na equação” nas medidas que venham a ser tomadas.Pelo
Governo de coligação, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e
Comunidades, Paulo Estêvão, referiu que o executivo liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro considera que “o problema não se
resolve apenas com o corte da despesa, é preciso resolver o problema
pelo lado da receita”.“Nós, o que temos
que continuar a fazer é manter o crescimento da receita da forma tão
significativa como estamos a fazer. Em segundo lugar, […] a Lei das
Finanças Regionais, é algo que é preciso resolver, porque prejudica
gravemente a Região Autónoma dos Açores”, afirmou.Paulo
Estêvão assegurou que o Governo Regional não irá adotar nenhuma medida
que possa originar retrocessos: “Não vamos, de certeza absoluta,
diminuir os apoios sociais de que a população está a usufruir”.