Parlamento dos Açores aprova plano de apoio à comunicação social privada
17 de jan. de 2025, 15:00
— Lusa/AO Online
O
decreto legislativo regional foi aprovado em votação final global com
os votos a favor do PSD, PS, CDS-PP e PPM, votos contra do Chega e IL e
abstenções do BE e PAN.“Sem contabilizar
os apoios nacionais que se conseguirem captar, o plano de apoio é de
dois milhões de euros. Trata-se de um plano robusto, capaz, estamos
certos disso, de dar a volta à [atual] situação”, disse o secretário
regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, na
apresentação da proposta.Segundo o
governante, o apoio aos órgãos de comunicação social é “justo e
fundamental” no plano dos valores e na preservação da democracia.“É
necessário porque, sem apoio, o pluralismo informativo nesta Região irá
desaparecer. Neste momento, a RTP Açores tem praticamente tantos
funcionários como todos os órgãos de comunicação social privados juntos e
recebe 88% do financiamento estatal e regional. Juntos, os órgãos de
comunicação social privados, recebem apenas 12% das verbas atribuídas
aos órgãos de comunicação social nos Açores”, apontou.E
prosseguiu: “Neste novo mundo, esmagados na tenaz formada pelos órgãos
de comunicação social públicos e todas as novas publicações de conteúdos
não jornalísticos, mas que deles se disfarçam e mascaram, a comunicação
social privada está à beira do esmagamento, se nada for feito”.O
plano do executivo açoriano para os órgãos de comunicação social
privados contempla vários incentivos, formação para jornalistas e
assinaturas de jornais.Paulo Estêvão
explicou que, entre outros aspetos, a medida exige um mínimo de
jornalistas credenciados nos projetos candidatos, estende a cobertura
dos apoios aos operadores de televisão, articula os apoios regionais com
os apoios nacionais e “alarga de 30% para 60% uma parte dos custos de
produção internos das redações”.No debate,
José Pacheco (Chega), lamentou que haja um apoio específico para o
setor, admitindo que o executivo da coligação “vai continuar a
patrocinar uma comunicação social que obedece à ‘voz do dono’”.Para
João Mendonça (PPM), o sistema de incentivos mostra o forte compromisso
da coligação com um setor “fundamental para a democracia” e “está a
dar-se uma resposta corajosa e inovadora para proteger e fortalecer este
setor na região”.Por sua vez, Paulo
Simões (PSD) disse que lhe custa “ouvir que os jornalistas são
fantoches, que são comprados pelo Governo, seja ele qual for”, e referiu
que o plano “vem dotar as redações dos meios necessários para poderem
exercer melhor o seu trabalho”.O
parlamentar da IL, Nuno Barata, observou que, muitas vezes, nos órgãos
de comunicação social a informação também é deturpada e questionou se no
futuro vai passar a ser “limpinha” por causa deste diploma.A
proposta “dá continuidade a uma política que já existe na Região de
apoiar os órgãos de comunicação social privados exatamente por causa da
especificidade insular”, que cria dificuldades a empresas de pequena
dimensão, disse Pedro Pinto (CDS-PP).Para
Pedro Neves (PAN), o diploma visa “promover o bom jornalismo, neste caso
a sobrevivência jornalística dentro dos Açores”, mas alertou que os
representantes dos jornalistas dizem que “são contra esta iniciativa”.Já
para António Lima (BE), os apoios “não podem servir apenas para salvar
as empresas”, devem servir “fundamentalmente para que haja jornalismo
livre nos Açores”, apontando que “não há liberdade com precariedade”.Pelo
PS, Berto Messias, considerou que o diploma vai “garantir um conjunto
de tipologias de apoio que tenham como principal objetivo a redução da
taxa de esforço mensal deste tipo de empresas que tem um imenso
constrangimento de angariação de receitas”.Antes
do debate, a Direção Regional do Sindicato dos Jornalistas lamentou em
comunicado que “todas as propostas apresentadas" por este organismo ao
Governo Regional “tenham sido ignoradas”.