Parlamento dos Açores aprova contabilização do tempo de serviço dos ‘contratos covid’ na saúde
10 de set. de 2025, 11:46
— Lusa/AO Online
O projeto de decreto legislativo
regional, apresentado pelo BE, foi aprovado por maioria, em votação
final global, com votos a favor de PS, Chega, BE e PAN, e abstenções do
PSD, CDS-PP, PPM e IL.Na apresentação da
proposta, António Lima referiu que “foi criada, tanto legislação
nacional como regional, relativa à contratação de trabalhadores durante o
período da pandemia, tanto para hospitais como para centros de saúde”.A
legislação extraordinária levou à contratação de “mais de 600
profissionais do setor da saúde” nos Açores, “ao abrigo de várias
modalidades de emprego, nomeadamente, recibos verdes, prestações de
serviço e contratos a termo incerto”.Segundo
o deputado do BE, em 2024, o conselho de administração do hospital de
Ponta Delgada emitiu uma nota interna, “em que havia deliberado a
conversão automática para contrato individual de trabalho por tempo
indeterminado ao abrigo de Código de Trabalho de todos os trabalhadores
vinculados por um contrato de trabalho a termo resolutivo incerto,
celebrado ao abrigo das normas de contratação da pandemia covid-19”, mas
a decisão foi “travada” pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).A
situação “levou a que fossem iniciados processos em tribunal por
trabalhadores, com vista ao reconhecimento dos seus direitos laborais”.O
Bloco apresentou, em janeiro deste ano, um projeto de resolução que
recomendava que o executivo reconhecesse o tempo de serviço destes
trabalhadores, mas a proposta foi “rejeitada pela coligação e pelo
Chega”.“Hoje, defendemos um projeto de
Decreto Legislativo Regional que pretende, de uma vez por todas, fazer
justiça e ultrapassar os bloqueios do governo regional e da maioria que o
suporta ao cumprimento da lei”, disse.No
debate, Olivéria Santos (Chega) referiu que a iniciativa permitia
“cumprir com uma promessa” feita aos profissionais de saúde durante o
combate à pandemia.“Esta é uma injustiça que importa alterar. Importa reconhecer estes anos de serviço a estes trabalhadores”, justificou. A
parlamentar do PSD Sabrina Furtado referiu que o executivo regional, no
orçamento de 2024, incluiu “a integração de 515 profissionais de saúde”
no sistema regional de saúde, mas o documento foi chumbado.“Para
o orçamento de 2025, o Governo voltou a inscrever […] a integração
destes trabalhadores nos quadros do Serviço Regional de Saúde”,
recordou.Já para Pedro Pinto (CDS-PP),
como o assunto está em tribunal, “politicamente não é aceitável vir para
aqui defender determinados casos muito particulares, que vão criar
entropia e problemas muito mais sérios no futuro”.“Porque, ao começarmos a tratar de forma diferente aquilo que não é diferente […] é um grave precedente político”, disse.Pelo
PS, José Toste, referiu que o partido já tinha alertado para a
necessidade de resolução do problema, pois os trabalhadores
“mantiveram-se a trabalhar nos hospitais e nas unidades de saúde” porque
eram necessários.Assim, o PS votou a favor, por considerar que é da “mais elementar justiça” reconhecer o tempo de serviço.João
Mendonça (PPM) considerou a iniciativa do BE “precipitada”, dado que a
contagem do tempo de serviço dos profissionais de saúde “encontra-se
ainda em apreciação dos tribunais”.Para o
parlamentar da IL, Nuno Barata, o assunto, até transitar em julgado,
“está com o poder judicial, não está com o poder político”.A
secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, referiu que foi proferida
uma sentença pelo Tribunal de Ponta Delgada, “que ainda não transitou em
julgado” e é “passível e suscetível de recurso”.“É nossa intenção [do Governo Regional] continuar a valorizar todos os trabalhadores”, referiu.O
parlamento dos Açores também aprovou, por maioria, o projeto de decreto
legislativo regional, apresentado pelo Chega, sobre o regulamento do
sistema tarifário dos portos da região.