Parlamento dos Açores aprova confidencialidade de provas para acesso a funções públicas
6 de jul. de 2022, 10:01
— Lusa/AO Online
A
proposta de Decreto Legislativo Regional foi apresentada pelo BE e
previa ainda o recurso maioritário “a entidades ou indivíduos exteriores
ao serviço ou organismo que recruta para constituição do júri do
procedimento concursal”, mas esse artigo não foi viabilizado.Os
partidos que suportam a coligação do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM)
consideraram “redundante” este segundo aspeto, que também era defendido
pelo PS, e apresentaram uma proposta de alteração para eliminá-lo da
redação final.O documento contou com o
voto favorável de todos os deputados do parlamento açoriano, tendo o
deputado António Lima, do BE, explicado que votou favoravelmente uma
proposta diferente da inicialmente apresentada por entender ser
importante criar o regime de anonimato da prova escrita de
conhecimentos.Este anonimato pretende
“impossibilitar que quem corrige a prova conheça a identidade do
candidato ou candidata em questão”, observou António Lima.O
debate serviu para PS e BE questionarem o deputado do Chega, José
Pacheco, sobre o facto de o subsecretário regional da Presidência do
Governo dos Açores ter sido sócio de uma empresa privada de segurança a
quem o executivo adjudicou contratos.Também
o deputado da Iniciativa Liberal (IL), Nuno Barata, com quem o PSD
assinou um acordo de incidência parlamentar, foi interpelado pelo BE
para se pronunciar sobre o assunto.Nem José Pacheco, nem Nuno Barata, responderam às questões.O
presidente do Governo dos Açores reiterou, em Ponta Delgada, que
não existe, “até ver”, problemas legais e éticos na atuação do
subsecretário regional.No plenário que
decorre no Faial, o deputado do PS Berto Messias foi o primeiro a
abordar o tema, tendo sido advertido pelo presidente da Assembleia
Legislativa de que não era aquele o tema em discussão.“Já
sabemos que o presidente do Governo Regional dos Açores não vê
problemas na atuação do senhor subsecretário e no facto de a esposa ser,
ainda, administradora da empresa”, disse Berto Messias. “O
presidente do Governo entende que o subsecretário não cometeu qualquer
ilegalidade. Do ponto de vista ético discordamos”, vincou.O
deputado disse estar em causa uma “matéria política muito relevante”,
destacando o “silêncio ensurdecedor do deputado do Chega, sempre tão
solícito na defesa da criação de gabinetes anti-corrupção e guardião das
práticas e dos bons costumes”. Também António Lima observou que a IL “nada disse sobre o Governo que apoia, tal como o Chega”.“Pergunto a José Pacheco se quem cala consente em relação à ética do Governo”, insistiu o parlamentar do BE.Na
quinta-feira, o líder do BE/Açores, António Lima, revelou que o Governo
Regional adjudicou vários contratos por ajuste direto a uma empresa de
segurança que na altura dos contratos era detida, em parte, pelo
subsecretário regional da Presidência.O BE
disse que Pedro Faria e Castro foi, “até maio de 2022, sócio de uma
empresa de segurança privada”, a Trust Lda., detendo um “capital que
variou entre os 60 e os 83 mil euros, ou seja, entre um quarto e um
terço do capital da empresa”.António Lima
adiantou ainda que “mais de 73% dos contratos públicos da Trust desde
que a empresa foi criada foram assinados depois de Faria e Castro ter
tomado posse como membro do Governo Regional”.Para
o BE, é uma “vergonha que uma empresa pertencente a um membro do
Governo tenha tido negócios com o próprio" executivo açoriano, sobretudo
“através do recurso à figura do ajuste direto”.Em
conferência de imprensa, na sexta-feira, o governante garantiu que
vendeu pelo valor de compra as quotas na empresa e manifestou-se
convicto da “legalidade” do processo.Isto
porque, para tomar posse, renunciou à gerência da empresa e pediu “a
suspensão dos direitos societários”, deixando “qualquer ligação à
empresa”.Em comunicado de imprensa, a
empresa de segurança afirmou que os serviços prestados ao Governo
Regional foram feitos por ajuste direto com consulta, em “igualdade de
circunstâncias”, com as outras firmas, assegurando a “total
transparência” dos procedimentos.