Parlamento dos Açores aprova benefícios fiscais para as empresas
16 de fev. de 2023, 16:31
— Lusa
De acordo com o documento, o
executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM deve declarar “todos os concelhos
da Região Autónoma dos Açores como áreas territoriais beneficiárias da
redução de 30% da taxa de IRC [Imposto sobre o Rendimento das Pessoas
Coletivas] aplicável à matéria coletável”.Sandra
Dias Faria, a deputada do PS que apresentou a iniciativa legislativa,
recordou que esta proposta só foi possível porque os deputados dos
Açores à Assembleia da República, eleitos pelo PS, introduziram uma
alteração ao Orçamento de Estado, no sentido do Estatuto dos Benefícios
Fiscais passasse a incluir as regiões autónomas e não apenas o interior
do país.“Resta agora ao Governo Regional
de coligação (PSD, CDS-PP e PPM) regulamentar este diploma, para que as
empresas dos Açores possam beneficiar destes benefícios fiscais,
sobretudo na atual conjuntura económica”, lembrou Sandra Faria,
recordando o aumento dos custos de produção e das matérias-primas, bem
como a eletricidade.O secretário regional
das Finanças e Planeamento, Duarte Freitas, recordou que a definição das
áreas territoriais, para efeitos de benefícios fiscais, já estava
contemplada no Orçamento da Região, embora ainda não esteja
regulamentado, porque a região aguardava ainda pela regulamentação
nacional.O Orçamento Regional dos Açores
para 2023, aprovado em novembr, prevê uma descida para 8,75% da taxa de
IRC das micro, pequenas e médias empresas da região.O
Estatuto dos Benefícios Fiscais prevê, para os territórios do interior e
Regiões Autónomas, a aplicação de uma taxa de 12,5% para pequenas e
médias empresas.Por outro lado, a Lei de
Finanças das Regiões Autónomas prevê a possibilidade de as assembleia
legislativas regionais diminuírem as taxas nacional de IRC (bem como de
IRS e IVA) “até ao limite de 30%”.O
governante realçou a “inconsistência e incongruência” dos socialistas,
que antes “eram contra a redução de impostos nos Açores”, mas que agora,
já são a favor: “sejam bem vindos”.António
Vasco Viveiros, deputado do PSD, lembrou que o Governo Regional já
levou a cabo um “choque fiscal” nos Açores, mesmo contra a vontade dos
socialistas, que anteviam mesmo que a baixa de impostos pudesse provocar
uma redução de receitas no arquipélago.Rui
Martins, do CDS, destacou também a contradição dos socialistas,
recordando que a proposta do PS surge apenas porque o Orçamento da
Região, que prevê as áreas territoriais para efeitos de benefícios
fiscais, foi aprovado na região, mesmo com o voto contra do PS.Também
Paulo Estêvão, do PPM, destacou a alegada mudança de opinião da bancada
do PS, que antes era contra a baixa de impostos na região, mas que
agora se aproxima do entendimento do partidos de coligação que apoiam o
atual governo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.Nuno
Barata, da Iniciativa Liberal, considerou que esta matéria “já devia
ter sido regulamentada” pelo atual governo de direita, mas lembrou que
foi este executivo que “fez um choque fiscal” na região, que foi, na
altura, contestado pelo PS.Carlos Furtado,
deputado independente, também votou a favor da iniciativa socialista,
lamentando que o parlamento não tenha tido a mesma preocupação com as
famílias que, na sua opinião, estão também a passar dificuldades,
sobretudo com os aumentos das taxas de juro nos créditos à habitação.Também
José Pacheco, do Chega, defendeu a necessidade de o parlamento pensar
igualmente nas famílias, que” deviam pagar menos impostos”, lamentando a
existência, em Portugal, de uma “carga pesadíssima de impostos”.Pedro
Neves, do PAN, disse concordar com a redução de impostos sobre as
micro, pequenas e médias empresas, mas advertiu que também devia ser
possível aumentar os impostos às empresas que estão a lucrar com a
guerra e com a conjuntura económica adversa, como é o caso da EDA, a
empresa de eletricidade dos Açores.O único
partido a votar contra a proposta do PS foi o Bloco de Esquerda, que
entende que o conceito de justiça fiscal deste Governo é errado.“Não
há dinheiro para os centros de saúde, não há dinheiro para contratar
auxiliares, para as escolas, mas há dinheiro para dar às empresas”,
lamentou António Lima, deputado bloquista.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado independente (eleito pelo Chega). PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação. A
coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega
e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um
acordo com a IL.