Parlamento dos Açores aprova anteproposta de lei para carreira de Técnico Auxiliar de Saúde
31 de mai. de 2022, 17:33
— Lusa/AO Online
O
documento, que agora passa para votação na Assembleia da República,
contou com 20 abstenções do PSD, três do CDS-PP, do deputado da IL e do
deputado independente, na votação realizada no parlamento açoriano, que
está reunido em plenário na cidade da Horta, ilha do Faial.Na
declaração de voto, o deputado único do PAN, Pedro Neves, manifestou
confiança na votação no parlamento nacional, dizendo não acreditar que
“virem costas a 30 mil trabalhadores”.“O que achei estranho, porque disseram que concordavam, foi que tenhamos visto a direita aqui a abster-se”, salientou.O
parlamentar considerou a iniciativa como a solução para “corrigir uma
injustiça laboral que perdura há mais de uma década”, com a “criação da
carreira de Técnico Auxiliar de Saúde, ou melhor dizendo, da recriação
da carreira de Técnico Auxiliar de Saúde, ou TAS”.“Digo
recriação porque, durante largos anos, estes profissionais de saúde
tiveram uma carreira especial que refletia, na sua globalidade, as
funções desempenhadas por estes. Todavia, num dado momento da nossa
história política procedeu-se à inversão deste quadro”, recordou.O
deputado do PAN lembrou que as funções destes trabalhadores da área da
Saúde foi “equiparada à dos assistentes operacionais que desempenham as
suas funções em estabelecimentos de ensino ou autarquias locais”.Estes,
contudo, “têm um papel imprescindível na prestação de cuidados a
doentes, fazem parte de equipas multidisciplinares de saúde, e, por
isso, é-lhes exigida formação e qualificação profissional adequada às
funções desempenhadas”, salientou Pedro Neves.“Os
próprios riscos que decorrem do exercício da atividade profissional,
bem como a carga horária, trabalho por turnos, entre outros, não são
devidamente enquadráveis na carreira de Assistentes Operacionais,
gerando uma manifesta situação de discriminação laboral negativa,
arredando a possibilidade de progressão na carreira”, lamentou.Para
Pedro Neves, a “situação coloca Portugal como sendo o único ou dos
únicos países da União Europeia que contrata profissionais de saúde sem
qualificações ou certificação adequada ao exercício das funções para as
quais foram admitidos”.Assim, a
anteproposta “pretende a dignificação desta profissão, colocando um fim
ao paradoxo criado em 2008, que representa a terceira força produtiva
nos hospitais e centros de saúde, nacionais e regionais, através da
regulamentação da carreira de Técnico Auxiliar de Saúde, definição das
suas competências técnicas, bem como a estrutura de carreira e funções
desempenhadas”.“Os cerca de 1600
assistentes operacionais, parte de um universo maior, se considerarmos
os trabalhadores que prestam serviço e cuidados de saúde em IPSS
[Instituições Particulares de Solidariedade Social] e outras
instituições privadas e que pode ascender a mais de 4.000 trabalhadores
só na região, e cerca de 30 mil em Portugal continental, merecem uma
carreira digna”, defendeu.