Parlamento destaca “notável empenho cívico” e importante legado na justiça
Óbito/Laborinho Lúcio
29 de out. de 2025, 15:43
— Lusa/AO Online
Álvaro
Laborinho Lúcio, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de
Justiça, que foi ministro da Justiça durante os governos chefiados por
Aníbal Cavaco Silva, ministro da República para os Açores e
procurador-geral adjunto da República, morreu na passada quinta-feira,
aos 83 anos.Álvaro José Brilhante
Laborinho Lúcio, natural da Nazaré, formou-se em Direito na Universidade
de Coimbra, tendo também obtido o curso complementar de Ciências
Jurídicas.Durante a sua vida, foi
procurador-geral adjunto da República, diretor da Escola de Polícia
Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários, juiz conselheiro do
Supremo Tribunal de Justiça e vogal do Conselho Superior de
Magistratura.Desempenhou funções
governativas nos executivos liderados por Aníbal Cavaco Silva, primeiro
como Secretário de Estado da Administração Judiciária e depois como
ministro da Justiça.“Foi deputado na VII
legislatura, destacando-se pelo modo como acompanhou os temas da Justiça
e dos Direitos Humanos. Foi, entre 2003 e 2006, ministro da República
para os Açores e, também, presidente da Assembleia Municipal da Nazaré”,
lê-se no texto do voto.No voto proposto
por José Pedro Aguiar-Branco, salienta-se que Laborinho Lúcio “revelou,
ao longo da sua vida, um notável empenho cívico”.“Primeiro
sócio da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e membro fundador da
Associação Crescer Ser, integrou diversas iniciativas da sociedade,
ligadas ao Direito dos Menores e da Família, e participou no esforço da
Igreja Católica para reforçar a proteção de menores, tendo integrado a
Comissão Independente que a Conferência Episcopal Portuguesa promoveu”,
refere-se.No texto, destaca-se ainda que
Laborinho Lúcio foi professor de Direito Penal na Universidade Autónoma
de Lisboa e membro do Conselho Geral da Universidade do Minho, que lhe
outorgou o título de Doutor Honoris Causa em Ciências da Educação”.“Recebeu,
em 2005, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Deixou-nos mais de uma
dezena de livros, muitos deles sobre Justiça”, acrescenta-se.Logo
na passada quinta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de
Sousa, lamentou a morte do antigo ministro Álvaro Laborinho Lúcio, que
recordou como "figura cimeira" da justiça que "esteve sempre à frente do
seu tempo".