Parlamento debate teletrabalho por iniciativa do PAN
Dia 3 de julho
2 de jul. de 2020, 10:11
— Lusa/AO Online
“Optámos
por fazer um debate e agendar essa temática precisamente para que haja
esta reflexão prévia, sendo que o PAN o que defende igualmente é que
haja uma regulamentação, e estamos a trabalhar num projeto de lei
precisamente para promover a regulamentação do teletrabalho”, disse à
Lusa a líder parlamentar, Inês Sousa Real.Entre
as vantagens do teletrabalho, o PAN aponta a redução das deslocações,
com benefício para o combate às alterações climáticas, maior inclusão e a
possibilidade de os trabalhadores poderem exercer as suas funções a
partir de zonas menos densificadas do país, contribuindo para valorizar
as regiões do interior desertificado. Por
outro lado, o teletrabalho apresenta "fragilidades", podendo na prática
representar uma "invasão da vida pessoal" ou o trabalhadoro não ter os
equipamentos e ferramentas de trabalho necessárias, adverte o partido.“Queremos
ouvir os especialistas, queremos ouvir também os parceiros sociais e
ouvir também as outras forças políticas sobre este tema”, apontou Inês
Sousa Real.Para o PAN, “o teletrabalho é
uma ferramenta que pode ajudar a conciliar a vida profissional e a vida
familiar”, pelo que o partido quer iniciar “uma reflexão em torno desta
temática”, até porque “a covid-19 antecipou precisamente a
implementação” desta forma de exercer.“Tendo
em conta a experiência que hoje temos do isolamento e do confinamento
em casa”, isso pode ser aproveitado para ajudar a decidir “de que forma”
será possível “regulamentar o teletrabalho”, destacou a líder
parlamentar.Com o projeto de lei que vai
apresentar, o PAN não quer alterar o Código do Trabalho, mas sim
“regulamentar para densificar estes conceitos” e garantir que “existe
uma base sólida”.“Se esta matéria ficasse
só na concertação social, corríamos os riscos de continuar a ter
disparidades entre os direitos e entre aquilo que são as garantias que
têm de ser dadas não só aos trabalhadores ou dos benefícios que têm de
ser dados às empresas. Achamos que esse mínimo denominador comum deve
estar garantido”, assinalou a deputada.No
final de maio, numa sessão de declarações políticas, o PAN já tinha
defendido a regulamentação do teletrabalho, tendo o PSD apontado a
necessidade de um amplo debate na sociedade, nomeadamente na concertação
social, e PCP e BE alertado para os riscos em relação aos direitos dos
trabalhadores.Na altura, o PS assinalou
que "em 2019 foram dados os primeiros passos na administração pública"
para potenciar o teletrabalho, e o CDS manifestou dúvidas na
regulamentação, criticando a confusão que o Governo, nesta fase de
pandemia, fez entre teletrabalho e apoio à família.