Parlamento debate na sexta-feira redução das comissões bancárias a pedido do PCP
18 de jan. de 2023, 11:11
— Lusa/AO Online
Este projeto de lei vai ser
debatido na sexta-feira na Assembleia da República, num agendamento
feito a pedido do PCP para o qual também foram ‘arrastados’ diplomas do
PS, Chega, Bloco de Esquerda e PAN que propõem igualmente reduções ou
limitações das comissões bancárias.Em
declarações à agência Lusa, o deputado do PCP Duarte Alves sublinhou que
as “comissões bancárias elevadas” foram introduzidas pelos bancos para
“compensar a baixa rentabilidade” numa altura de taxas de juro
negativas. Agora, numa altura em que essas
taxas de juro estão a aumentar, Duarte Alves defendeu que esse
argumento “já não se coloca” e deixou de “fazer qualquer sentido”,
criticando o facto de os consumidores continuarem a “pagar comissões
bancárias absolutamente inaceitáveis” e que têm como objetivo “alimentar
o lucro dos bancos”.“Aquilo que nós
consideramos fundamental neste momento é, perante as dificuldades que as
famílias enfrentam, perante o agravamento dos custos que existem no
crédito à habitação e, no geral, no acesso ao crédito, é necessário que
haja uma redução muito significativa das comissões”, sustentou. Nesse
sentido, o PCP apresentou um projeto de lei em que propõe
designadamente “acabar com as comissões de manutenção da conta” que, de
acordo com Duarte Alves, têm um “custo mensal” e “um valor muito
significativo”. O partido sugere também o
fim das comissões por levantamento de dinheiro ao balcão, tendo Duarte
Alves argumentado que “há uma parte da população que precisa de fazer o
levantamento da sua pensão ou dos seus rendimentos ao balcão e não pode
ser penalizada por isso”. No mesmo âmbito,
o PCP quer também alargar o “regime de acesso à conta de serviços
mínimos bancários” - cujas comissões estão limitadas a cerca de 4,40
euros por ano -, passando um cidadão a poder deter uma conta desse tipo
enquanto continua a ser “titular ou contitular de outras contas à ordem
não abrangidas por este regime”. Duarte
Alves salientou que são “propostas concretas” e apelou a que o Governo
não passe “ao lado desta necessidade de, num momento como o atual,
reduzir as comissões bancárias que os bancos continuam a cobrar”.“Se
não houver intervenção pública, não será por iniciativa dos bancos [que
as comissões bancárias vão ser reduzidas], porque continuam a aumentar
os seus lucros e não têm problema nenhum em, ao mesmo tempo que cobram
mais juros, também continuarem a cobrar mais comissões bancárias”,
defendeu. Abordando os restantes diplomas
que irão ser debatidos esta sexta-feira, Duarte Alves salientou que
todas iniciativas que visam reduzir as comissões bancárias “são
bem-vindas”, adiantando que o PCP não irá “obstaculizar” nenhuma. “Ainda
bem que o PCP agendou este debate para permitir que esta discussão vá à
Assembleia da República. Acho que todos ganhamos em que os problemas
reais das pessoas sejam discutidos na Assembleia da República”,
salientou. Apesar disso, o deputado do PCP
considerou que o diploma do PS - que tem propostas designadamente no
que se refere ao fim das comissões em processos de habilitação de
herdeiros ou de mudança de titular de contas - têm “um impacto muito
menor do que aquelas que o PCP apresentou”. “Nós
não podemos ficar apenas por pequenos ajustes, porque o nível das
comissões bancárias é, de facto, insuportável para a maior parte dos
consumidores”, salientou. Duarte Alves
apelou assim a que, para além do diploma do PS, também outras propostas
sejam aprovadas na sexta-feira e “possam baixar à especialidade”, para
serem posteriormente melhoradas e para que os deputados possam ter “uma
intervenção que melhore aquilo que são as condições de vida da maior
parte da população”.