Parlamento debate na quarta-feira "defesa da escola pública" a pedido do PCP
24 de jan. de 2023, 13:52
— Lusa/AO Online
Numa
altura em que as greves e negociações entre sindicatos e Governo
continuam, o PCP requereu, com caráter obrigatório, o agendamento de um
debate de atualidade em plenário com o tema “Defender a Escola Pública,
respeitar e valorizar os Professores e Educadores”, que vai decorrer
esta quarta-feira, estando prevista a presença do ministro da Educação,
João Costa, e da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana
Catarina Mendes.Em declarações à agência
Lusa, o deputado do PCP Alfredo Maia considerou que “é urgente que o
Governo escute, e escute verdadeiramente, o clamor dos professores nas
ruas e nas escolas, e ceda às suas justas reivindicações”. Apesar
de João Costa já ter estado no parlamento na semana passada - num
debate de urgência requerido pelo Chega -, Alfredo Maia defendeu que as
explicações dadas nessa ocasião “não foram suficientes” e o governante
continua por responder “a uma série de questões” ligadas à carreira
docente. “Esperamos que nos dê resposta,
que nos explique como é que se justifica que mais de 40 mil alunos
tenham começado o segundo período sem professores a pelo menos uma
disciplina, que medidas é que tem para responder ao problema da falta de
professores e sobretudo à falta de atratividade que a carreira de
professor tem neste momento”, sublinhou.Alfredo
Maia disse que o partido quer ouvir respostas sobre a questão das
“garantias concretas quanto à vinculação efetiva dos professores”,
alertando que, apenas dentro do grupo de docentes com dez ou mais anos
de serviço, há mais de 11 mil sem vinculação. “Agora o ministro vem falar [em vincular] 10.500 professores. Este objetivo é claramente insuficiente”, criticou. No
mesmo âmbito, Alfredo Maia qualificou como armadilha a proposta do
ministério de vincular todos os professores com mais de três anos de
serviço e que, este ano, cumpram um horário completo, advertindo que
essa situação poderá permitir a vinculação de docentes com menos anos de
serviço do que professores com carreiras de “10, 15 ou 20 anos”, mas a
que faltem "uma hora ou duas no horário" deste ano.Outra
das matérias em que o PCP vai questionar o ministro da Educação é a
reposição do tempo de serviço e a progressão e graduação na carreira
docente.Retomando uma reivindicação de
longa data, o PCP exige o descongelamento dos "seis anos, seis meses e
23 dias que foram roubados a muitos professores" e a garantia de que
"eles progridem na carreira", através da revogação das "vagas e das
quotas para a progressão para o quinto e sétimo escalões”.“Estas
barreiras são completamente inaceitáveis, nós temos professores com 30
ou mais anos de carreira que estão no quarto escalão, quando deviam
estar no nono”, defendeu. Por outro lado, o
PCP vai também pedir respostas a João Costa no que se refere à
colocação dos professores nos Quadros de Zona Pedagógica (QZP).“Embora
a proposta do ministério vá no sentido que nós sempre defendemos, da
redução da área geográfica do QZP, a verdade é que se perfila um sistema
de distribuição dos professores que contraria aquilo que defendemos que
deve ser o concurso nacional anual, tendo como critério exclusivo a
graduação dos professores”, sublinhou. Segundo
Alfredo Maia, caso a proposta se mantenha como está, haverá uma
“distribuição dos professores no interior do QZP decidida pelo chamado
Conselho Local de Diretores, o que significa que um professor pode ser
colocado a dar aulas em diversas escolas ou agrupamentos ao mesmo
tempo”. “Isto é inaceitável. Isto não vai
no sentido do progresso, vai no sentido do retrocesso, criando
dificuldades aos professores”, frisou. Para
Alfredo Maia, “o Governo tem de ceder a estas reivindicações, porque
são justas e são essenciais para resolver os problemas da educação e da
escola de qualidade”. Do lado do PCP, caso
os problemas relativos à carreira docente não sejam resolvidos durante
as atuais negociações entre sindicatos e governo, Alfredo Maia garantiu
que o partido não irá “desistir de continuar a colocar iniciativas nas
alturas devidas e regimentalmente possíveis”.