Parlamento debate mudanças no acesso de cidadãos estrangeiros ao SNS
19 de dez. de 2024, 11:07
— Lusa/AO Online
O
debate, que vai ocupar os trabalhos do parlamento durante a tarde, foi
proposto pelo Chega e tem como tema “turismo de saúde”. O partido
liderado por André Ventura leva quatro projetos de lei e duas resoluções
ao plenário.O Chega quer alterar a Lei de
Bases da Saúde para limitar o acesso ao SNS a estrangeiros que não
residam em Portugal, só lhes permitindo aceder aos cuidados de saúde
públicos em casos de emergência ou mediante pagamento.Noutro projeto de lei, o partido quer que seja exigido um seguro de saúde a quem entra no país.O partido propõe ainda alterar a Lei da Nacionalidade, apertando as regras de aquisição da cidadania.Também
o projeto de lei apresentado por PSD e CDS-PP visa alterar a Lei de
Bases da Saúde para travar a "utilização abusiva" do Serviço Nacional de
Saúde por estrangeiros não residentes em Portugal, exigindo
documentação extra a estes cidadãos.Os
partidos que suportam o Governo querem retirar da lista dos
beneficiários com acesso ao SNS os migrantes sem situação legalizada,
passando a constar, além dos cidadãos portugueses, "os cidadãos em
situação de permanência regular em território nacional ou em situação de
estada ou em situação de residência temporária em Portugal, que sejam
nacionais de Estados-Membros da União Europeia ou equiparados, nacionais
de países terceiros, bem como apátridas ou requerentes de proteção
internacional".PSD e CDS-PP acrescentam
ainda que "o acesso de cidadãos em situação de permanência irregular ou
de cidadãos não residentes em território nacional implica a apresentação
de comprovativo de cobertura de cuidados de saúde, bem como a
apresentação de documentação considerada necessária pelo Serviço
Nacional de Saúde para adequada identificação e contacto do cidadão",
mas tal não se aplica a situações urgentes ou vitais.O
PS recomenda ao Governo que “quantifique e tipifique os utentes
estrangeiros que acedem ao SNS dentro e fora do enquadramento legal, com
informação desagregada, designadamente, a caracterização do tipo de
tratamento, país de origem, documentação apresentada, nível de
complexidade, região, custo associado, entidade financeira responsável,
situação de cobrança”, e que a informação seja entregue à Assembleia da
República, acompanhada das “principais causas da dificuldade de
cobrança”.Os socialistas pedem também uma
melhoria dos procedimentos e o reforço da monitorização, bem como a
“capacitação do sistema informático para recolha e tratamento da
informação”.Já a IL recomenda que sejam
cobrados aos cidadãos estrangeiros os seus custos no SNS antes da
prestação dos cuidados de saúde não-urgentes ou que, em alternativa,
possam usar um seguro de saúde ou acordo internacional, “desde que
válido em Portugal e aceite pelo SNS”.Os
liberais pedem também ao Governo que “assegure o acesso aos cuidados de
saúde pela população imigrante, em situação de comprovada insuficiência
económica, que tenha iniciado o seu processo de regularização de
residência”.Contactados pela Lusa, PSD, PS
e Chega não quiseram antecipar os sentidos de voto quanto aos vários
projetos. André Ventura admitiu contactos com os sociais-democratas para
um entendimento quanto às iniciativas dos dois partidos e uma possível
descida a comissão sem votação para que sejam trabalhadas na
especialidade.De acordo com fonte oficial
do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares, o Governo não deverá
participar no debate, que tem duração prevista de cerca de duas horas.