Parlamento debate hoje Programa de Estabilidade 2023-2027
26 de abr. de 2023, 06:18
— Lusa/AO Online
O início do debate, em
plenário, está marcado para as 15h00 (menos uma nos Açores) prevendo-se que o mesmo tenha uma
duração total de cerca de duas horas, com a grelha a atribuir 30 minutos
ao Governo.No documento, o executivo
inscreve uma revisão em alta da previsão de crescimento da economia
portuguesa deste ano, para 1,8% (face aos 1,3% previstos em outubro na
proposta de Orçamento do Estado para 2023, da taxa de inflação, para
5,1% (quando anteriormente apontava para 4%), e revê em baixa o défice
orçamental, prevendo que se situe em 0,4% este ano, abaixo dos 0,9%
inscritos no Orçamento do Estado para 2023.Já
quanto ao rácio da dívida pública, estima que baixe para 107,5% este
ano e fique abaixo dos 100% em 2025, enquanto a taxa de desemprego deve
situar-se nos 6,7% este ano, acima dos 5,6% apontados anteriormente.O
Governo anunciou que os pensionistas irão ter um aumento intercalar de
3,57% a partir de julho deste ano e a correção da base das pensões em
2024, para aplicação integral da fórmula de atualização prevista na lei.Entre
as medidas de política apontadas no PE está um desagravamento do IRS
que no horizonte da projeção está avaliado em 2.000 milhões de euros.O
PE 2023-2027 foi recebido com críticas por parte dos vários partidos da
oposição, que hoje a equipa do Ministério das Finanças, Fernando
Medina, deverá voltar a ouvir durante o debate do documento.Após
ser conhecido o PE 2023-2027, o PSD apontou-lhe “falta de ambição” nas
previsões de crescimento económico, tendo saudado que o Governo tenha
reconhecido que tinha feito um “corte de pensões".O
Chega anunciou na sexta-feira que entregou "uma moção de rejeição ao
Programa de Estabilidade", pedindo que a mesma seja discutida hoje,
juntamente com a proposta do Governo, com André Ventura a referir que a
rejeição "é apenas uma sinalização de que este não é o caminho certo do
ponto de vista da política económica e fiscal que o Governo deve
seguir".Já o presidente da Iniciativa
Liberal, Rui Rocha, considerou “muito insuficiente” o crescimento da
economia portuguesa previsto para este ano e lembrou que “uma parte
muito significativa” desse crescimento se fica a dever ao Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR).O PE
reuniu também críticas à esquerda da PS, com o PCP a considerar que o
documento tem como objetivo “satisfazer Bruxelas e os interesses dos
grupos económicos” e sublinhar, pela voz da lidera da bancada
parlamentar dos comunistas, Paula Santos, que a valorização das pensões
se trata “tão somente do cumprimento da lei”.O
Bloco de Esquerda, por seu lado, anunciou no domingo a apresentação no
parlamento de um projeto de resolução para a Proteção dos Rendimentos
Face à Inflação e Rejeição do Programa de Estabilidade. Antes, Catarina
Martins já tinha considerado que o programa é “uma verdadeira
irresponsabilidade” e aquele que “qualquer partido de direita”
apresentaria, acusando o executivo de “viver num país absurdo”.O
Livre defendeu ser "particularmente incompreensível" o aumento das
pensões apenas a partir de julho, considerando que o Governo "ou errou
nos cálculos" ou "não quis" dar o acréscimo de 3,57% no início do ano.Já
a porta-voz do PAN acusou o Governo de demonstrar uma “excessiva
obsessão com o défice” e “pouca sensibilidade” para o contexto de
inflação estrutural, pedindo um maior alívio fiscal para famílias e
empresas.