Parlamento debate hoje 10 projetos-lei para a regulamentação do teletrabalho
5 de mai. de 2021, 08:58
— Lusa/AO Online
O agendamento deste tema
partiu do BE, tendo PS, PSD, PCP, CDS-PP, PAN, PEV e a deputada não
inscrita Cristina Rodrigues arrastado as suas iniciativas sobre
teletrabalho e direito a desligar para o debate. Os projetos podem ser
votados hoje, havendo a possibilidade de os grupos parlamentares pedirem
para que os diplomas baixem, sem votação, à comissão, prosseguindo o
trabalho legislativo na especialidade. À
agência Lusa, apenas o PSD, através da deputada Clara Marques Mendes,
confirmou que o partido vai pedir a baixa à comissão sem votação, uma
vez que não “decorreu ainda o prazo de apreciação pública”, concordando
que terá sentido, “havendo várias iniciativas sobre a mesma matéria,
fazer aquilo que já tem acontecido no passado, que é as iniciativas
serem discutidas, na especialidade, no seu conjunto”.A
líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, assegurou que o partido
está disponível para melhorar o documento em sede de especialidade, num
trabalho “conjunto para encontrar uma solução equilibrada da
regulamentação do teletrabalho”, rejeitando que esta seja “uma discussão
sectária”, mas sim “abrangente e realista”.“No
parlamento, cada vez mais, devemos ser capazes de fazer as pontes
necessárias. É uma legislação muito importante, que interfere
diretamente na vida das empresas e das pessoas e por isso todos os
consensos e o máximo de consenso possível é absolutamente necessário”,
defendeu a socialista.Já o BE, pelo
deputado José Soeiro, aponta que o agendamento do partido “já teve o
efeito de fazer com que os vários partidos venham a jogo”, esperando que
“possa haver uma alteração à lei do trabalho para dar maior proteção
aos trabalhadores que optem pelo teletrabalho” e que o debate de
quarta-feira “seja o início de processo de especialidade que possa dar
frutos”.“Apesar de haver algumas zonas de
convergência, existe uma grande clivagem entre os projetos. Por um lado,
entre o projeto do PS e do PSD que não preveem a obrigatoriedade da
compensação aos trabalhadores e fazem com que as normas que propõem não
sejam imperativas e depois há um conjunto de outros projetos, do BE - o
primeiro a apresentar - mas também do PCP, PAN e do PEV que preveem um
conjunto de normas que são obrigatórias, que são imperativas, que a lei
passa a definir como sendo direitos do teletrabalhador”, comparou.O
PCP, pela voz de Diana Ferreira, rejeita o "endeusamento" do
teletrabalho e “não abdica de intervir para salvaguardar os direitos dos
trabalhadores” nesta situação. “Quanto à
questão do debate na especialidade, este terá sempre lugar quer seja com
iniciativas aprovadas na generalidade, quer seja com a baixa das
iniciativas sem votação. Da parte do PCP não excluímos nenhuma
possibilidade e estamos disponíveis para o debate na especialidade que
aprofunde a discussão sobre a matéria", adiantou a comunista.O
CDS-PP, pelo deputado Pedro Morais Soares, lamenta que as propostas que
apresentou em 2017 para regulamentar o teletrabalho tenham sido
chumbadas, explicando que a proposta agora apresentada “do direito ao
desligamento também surge no seguimento de recomendações do Parlamento
Europeu à Comissão Europeia no sentido de legislar sobre esta matéria”.“Se
os partidos entenderem baixar à comissão no sentido de tentar encontrar
um texto conjunto, o CDS está cá porque urgente é regulamentar o
teletrabalho”, assegurou.À Lusa, o PEV
“põe a hipótese do seu projeto baixar sem votação, caso esteja em risco
de ser rejeitado, por forma a possibilitar ser trabalhado em conjunto
com outros projetos”.