Parlamento debate habitação a pedido do PSD com 13 diplomas de vários partidos
15 de mar. de 2023, 07:19
— Lusa/AO Online
O
debate, que contará com a presença da ministra da Habitação, Marina
Gonçalves, servirá para discutir o pacote apresentado pelos
sociais-democratas na semana passada, tendo sido arrastadas ainda
iniciativas de Chega, IL, BE, PCP e Livre, com votação de um total de 13
diplomas no final da discussão.Questionado
pela Lusa, o líder parlamentar do PS manifestou abertura para
“continuar a discutir” este tema, sem concretizar que propostas poderão
ser viabilizadas para a discussão na especialidade.“Temos
abertura para olhar para as várias propostas, não fechamos este
processo, que foi iniciado pelo Governo. O debate marcado pelo PSD é
apenas mais uma etapa”, afirmou Eurico Brilhante Dias.O
Governo apresentou em 16 de fevereiro o pacote “Mais Habitação”, num
processo que só ficará fechado em Conselho de Ministros no final de
março, e com várias das propostas a terem de passar ainda pelo
parlamento.Na semana passada, o PSD
apresentou um conjunto de dez diplomas (agora condensados em cinco, por
imposições regimentais), cujo custo disse não ser possível quantificar
sem dados que só o Governo possui, mas que considerou “acomodáveis no
Orçamento do Estado para 2024”.Nessa
ocasião, o vice-presidente do PSD António Leitão Amaro considerou que “a
receita socialista é uma solução profundamente errada, porque aposta em
soluções ideologicamente obcecadas que agravam o problema, atacam a
propriedade privada, e põem o Estado a fazer o que não se sabe”,
criticando em particular medidas como o arrendamento forçado, a
limitação de rendas, a proibição de novas licenças de Alojamento Local
ou dos vistos ‘gold’.Sobre os imóveis
devolutos, o PSD propõe a criação de um programa de cooperação entre o
Estado e as entidades locais: ao contrário da proposta do Governo (que
prevê o arrendamento pelo Estado de casas privadas devolutas), seriam as
autarquias a identificar os edifícios públicos sem uso e a propor
(sozinhas ou associadas a privados) projetos para os utilizar, tomando
posse administrativa dos mesmos se o Estado não respondesse num prazo
curto.Na área fiscal, o PSD quer reduzir a
taxa liberatória dos rendimentos prediais para arrendamento
habitacional (de 28 para 23%, com reduções mais significativas para
contratos mais longos), isentar de IMT (Imposto Municipal sobre as
Transmissões Onerosas de Imóveis) vendas de imóveis até 168 mil euros,
reforçar em sede de IRS as deduções do pagamento de rendas e de juros no
crédito à habitação, bem como aplicar, entre 2024 e 2030, a taxa mínima
de IVA de 6% para obras de construção e reabilitação de prédios
habitacionais.Num outro diploma, o PSD
propõe, para mitigar o impacto do agravamento dos juros do crédito à
habitação, o reescalonamento das dívidas aos bancos (diminuindo o
pagamento mensal), sendo uma parte atirada para o final do contrato, com
o Estado a dar uma garantia pública sobre o montante renegociado.No
mesmo projeto-lei, os sociais-democratas propõem a criação de um
subsídio para arrendamento, que pode ser pedido por agregados familiares
com rendimentos até ao sexto escalão do IRS (cerca de 38 mil euros) e
que tenham uma taxa de esforço igual ou superior a 33%. O subsídio
corresponderia um quarto do valor da renda, que subiria para um terço se
o arrendatário tivesse até 35 anos.Outra
das propostas emblemáticas do pacote ‘laranja’, da autoria da Juventude
Social-Democrata, passa por substituir a ‘entrada’ na compra de casa por
uma garantia do Estado para jovens até 35 anos, instrumento que pode ir
até 10% do imóvel e apenas para casas com um valor máximo de 250 mil
euros.Entre os restantes partidos, o Chega
leva a debate e votação dois projetos-lei: um que propõe a isenção do
pagamento de imposto de selo para compra de imóveis até 250.000 euros e
outro para reduzir para 6% o IVA das obras de reabilitação em imóveis
destinados à habitação.Já a IL quer
promover a possibilidade de a sociedade civil (iniciativa privada ou
social) reabilitar imóveis devolutos do Estado, se este não aceitar
vendê-los, para arrendamento acessível durante cinco anos (podendo
depois desse prazo dar-lhes a utilização que entender).O
Livre propõe que apenas se atribua isenção de IRC aos fundos e
sociedades de investimento imobiliário que disponibilizem 30% dos seus
bens imóveis no Programa de Apoio ao Arrendamento.Entre
as resoluções (sem força de lei), o BE recomenda ao Governo que
terrenos públicos “não sejam vendidos ou transferidos para processos de
especulação imobiliária”, a IL que seja criado um Portal Digital do
Licenciamento Urbanístico, o Livre pede que sejam contratados “os
recursos humanos necessários à prossecução das políticas públicas de
habitação” e o PCP retoma propostas do partido antes 'chumbadas', como a
imposição de renegociação dos créditos da habitação ou de limites aos
valores de novos contratos de arrendamento.