Parlamento debate dois projetos para o desenvolvimento do mundo rural
12 de mar. de 2020, 15:54
— Lusa/AO Online
O projeto de resolução do
CDS-PP propõe a criação de um Conselho Consultivo do Mundo Rural, um
órgão que poderá contribuir para “uma melhor adequação das iniciativas
legislativas e melhor formação do poder político e da sociedade em
geral”. “É um órgão de consulta e apoio
técnico da Assembleia da República em todos os assuntos relativos ao
mundo rural, cabendo-lhe principalmente habilitar as comissões
parlamentares com relatórios, pareceres e apoio técnico, a pedido destas
ou por sua própria iniciativa”, explica o CDS-PP, no documento. De
acordo com o grupo parlamentar, o conselho seria composto por
“representantes das organizações de produtores”, com funções “não
remuneradas”.Os centristas justificam a
proposta pelas características do território nacional, em que 94% é
rural, com “propriedade essencialmente privada, extremamente fragmentada
e dispersa, sendo que cerca de um terço é florestal, um terço agrícola e
o restante terço corresponde a matos e pastagens”. Contudo,
defendem, é preciso olhar para o território “como um ativo” e pensar
que todas as atividades do mundo rural (agricultura, floresta, pecuária e
turismo de natureza) “são uma potencialidade para o território e
indispensáveis para o desenvolvimento do país”. “É,
por isso, indispensável considerar e dignificar o mundo rural,
considerá-lo politicamente importante e voltar a fazer com que os
agentes do território se sintam valorizados e acreditem no futuro das
suas atividades, ao invés de se sentirem ameaçados por uma política de
desconfiança constante do seu modo de vida”, lê-se no documento. Também
nesta perspetiva, o grupo parlamentar do PCP entregou um projeto de lei
em que pretende a criação de uma Comissão de Desenvolvimento do
Interior e do Mundo Rural, “uma estrutura multidisciplinar”, que
integrasse “representantes institucionais”. “Portugal
tem vindo a assistir, ao longo de décadas, ao abandono do interior e do
mundo rural, vítima do constante e deliberado desinvestimento e
alheamento de sucessivos Governos do PSD, CDS-PP e PS e das políticas
por eles praticadas que, em completo desrespeito pelas ‘gentes’
residentes fora dos centros urbanos do litoral, foram suprimento o
acesso aos mais elementares serviços públicos”, frisou. Na
visão dos comunistas, estas políticas causaram “um interior despovoado,
sem infraestruturas, serviços públicos e atividades económicas
dignificadas capazes de promover a fixação da população mais jovem e de
captar novos residentes”. Aliás, segundo o
documento, o número de habitantes em áreas predominantemente rurais
decresceu em 7,1%, entre 2011 e 2018, o que representa quase 100.000
residentes.Neste sentido, as principais
funções da comissão seriam a apresentação de “estudos destinados ao
diagnóstico e análise do desenvolvimento dos territórios do interior e
mundo rural”, assim como “formular as propostas de investimento e
intervenção necessárias”. Além disso,
teria também de apresentar anualmente à Assembleia da República um
relatório sobre o estado do interior e do mundo rural. Segundo
a proposta, o grupo deveria ser dirigido por um conselho geral com
representantes dos ministérios da Agricultura e do Ambiente e da Coesão
Territorial, assim como das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento
Regional, do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, da
Confederação Portuguesa das Pequenas e Médias Empresas e da Associação
Nacional de Municípios Portugueses, entre outras.