Parlamento debate 4.ª feira projeto do PCP para proteger habitação e evitar incumprimentos
14 de fev. de 2023, 10:36
— Lusa/AO Online
O
debate, agendado pelo PCP para a sessão plenária com caráter
obrigatório, vai decorrer na véspera de uma reunião do Conselho de
Ministros dedicada à habitação, e foi anunciado nas jornadas
parlamentares do partido, entre 30 e 31 de janeiro no distrito de Beja. Em
declarações à agência Lusa, o deputado comunista Bruno Dias destacou
que o seu partido pretende que o debate seja “orientado especialmente
para o problema gravíssimo que está a afetar milhares e milhares de
famílias, com o aumento das taxas de juro e o aumento das prestações do
crédito à habitação”. Para o deputado
comunista, apesar de o problema da habitação não ter começado agora,
“está a tornar-se cada vez mais grave”, com a subida progressiva das
taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE).“O
tempo vai passando, as pessoas vão ficando cada vez mais aflitas, em
situações dramáticas de não ter mesmo a capacidade para fazer face a
estas despesas todas. Na maior parte dos casos, correm o risco de entrar
em incumprimento sem terem culpa nenhuma, porque não fizeram contratos
de habitação ‘acima das suas possibilidades’, como dizia o outro”,
advertiu.Bruno Dias considerou que esta
situação “não tem sido acautelada” pelo Governo e sustentou que as
medidas que têm sido implementadas - designadamente o decreto-lei de
novembro de 2022 que estabeleceu novas regras para renegociar
empréstimos à habitação - são "claramente insuficientes" e continuam “a
passar ao lado da maior parte das pessoas”.“É
preciso que haja uma viragem e uma consciência por parte do Governo e
da maioria absoluta do PS, para que finalmente se defendam os interesses
da população, do povo deste país e que o critério deixe de ser - como
tem sido - o de proteger os interesses e os lucros dos bancos e do poder
económico”, defendeu. Neste âmbito, o
projeto de lei que o PCP leva a debate esta quarta-feira visa criar um
regime extraordinário de proteção da habitação própria face ao aumento
dos encargos com o crédito à habitação.Entre
as medidas que constam no diploma, o PCP propõe designadamente que a
subida das taxas de juro não tenha como “primeiro impacto” a perda de
rendimento das pessoas, devendo antes incidir na “redução das margens de
lucro dos bancos”.“Não podem ficar
intocadas. O conjunto de custos e encargos associados ao contrato de
crédito à habitação - as comissões bancárias, os seguros, anuidades dos
cartões de crédito - devem ser equacionados, reduzindo-se nas despesas
que as pessoas fazem”, disse Bruno Dias. Por
outro lado, o PCP quer também que os contratos de habitação possam ser
renegociados “na perspetiva de um limite de 35% da taxa de esforço,
estendendo o prazo para pagamento a crédito, sem aquelas listas negras e
consequências que os bancos depois apontam às pessoas”.No
mesmo sentido, o partido sugere ainda que os bancos não se possam opor a
que as pessoas entreguem as casas para saldar a dívida. Nos casos em
que o imóvel for posteriormente vendido pelo banco a “um preço superior
ao considerado aquando da entrega”, o PCP propõe ainda que haja uma
compensação para quem entregou o imóvel. Em
casos limite, para prevenir que as pessoas fiquem “sem teto”, o PCP
sugere também que a lei preveja a possibilidade de “manter a habitação a
título de arrendamento, podendo depois ser retomado o crédito" à
habitação. “São medidas que, nalguns
casos, até retomam práticas e soluções que já existiam. Não estamos aqui
a inventar a pólvora, estamos a avançar com soluções inovadoras, mais
eficazes e mais capazes de defender a situação das pessoas que, na sua
casa própria, estão a enfrentar estas dificuldades”, salientou. Apesar
de não saber se o Governo irá marcar presença no debate, Bruno Dias
salientou que, mais do que “pedir explicações” ao executivo ou “trocar
galhardetes”, o objetivo da discussão é o de apresentar “propostas
concretas”.Bruno Dias desafiou os
restantes partidos a escolherem “entre defender a habitação das pessoas”
ou “os lucros milionários da banca, que passa incólume perante tudo
isto e até está a ganhar com os sacrifícios da imensa maioria das
pessoas”.“O desafio fica colocado e fica colocado desde logo, como é óbvio, em relação à maioria absoluta PS”, disse.