Parlamento da Madeira vai constituir comissão de inquérito sobre alegadas "obras inventadas"
23 de jan. de 2023, 16:24
— Lusa
“A comissão tomará posse nos
próximos dias. O presidente será do Partido Social Democrata, o
vice-presidente e o secretário do Partido Socialista e o relator será de
um dos partidos da maioria parlamentar”, afirmou o presidente do
parlamento madeirense no final da reunião dos representantes dos
partidos.José Manuel Rodrigues fixou “em 90 dias o prazo para a elaboração do relatório com as conclusões desta comissão de inquérito”.Esta
comissão de inquérito tem por base um pedido com caráter potestativo
apresentado pelo grupo parlamentar do PS/Madeira, a maior força política
da oposição (ocupa 19 dos 47 lugares no hemiciclo).Está
subordinada ao tema “o favorecimento dos grupos económicos pelo Governo
Regional, pelo presidente do Governo Regional e secretários regionais e
'obras inventadas'”, suscetíveis de configurar a prática de diversos
crimes.Esta comissão de inquérito surge
depois de acusações do ex-deputado do PSD na Assembleia da República,
eleito pelo círculo da Madeira, Sérgio Marques, em declarações ao Diário
de Notícias, relacionadas com “obras inventadas a partir de 2000”,
quando Alberto João Jardim (PSD) era presidente do executivo madeirense,
e grupos económicos que cresceram com o “dedo de Jardim”.Sérgio
Marques, que fez parte do executivo madeirense como diretor regional
entre 1988 e 1989, referiu que a governação de Alberto João Jardim “foi
fantástica até 2000”.“Começaram [depois] a
inventar-se obras, quis-se continuar no mesmo esquema de governo, a
mesma linha, obras sem necessidade, aquela lógica das sociedades de
desenvolvimento, todo aquele investimento louco que foi feito pelas
sociedades de desenvolvimento", afirmou.Na
rede social Facebook, Sérgio Marques explicou depois que estas
declarações ao DN foram prestadas em ‘off’, no âmbito de um trabalho
sobre os 47 anos com o PSD no poder na Madeira, numa “parte informal” da
conversa, até porque “estão longe de ter atualidade e pertinência”.O
social-democrata, que fez também parte do Governo de Miguel Albuquerque
como secretário regional do Assuntos Europeus e Parlamentares, entre
2015 e 2017, afirmou ainda que foi afastado do cargo por influência de
um grande grupo económico da região.Na
terça-feira, Sérgio Marques anunciou a renúncia ao mandato e a saída da
comissão política regional do partido na sequência desta polémica.Na
quinta-feira, a Assembleia da República formalizou a renúncia ao
mandato do deputado do PSD Sérgio Marques e a sua substituição por João
Dinis Santos Ramos, com a aprovação do respetivo parecer em plenário.Na
reunião de hoje dos representantes dos partidos com assento na
Assembleia da Madeira ficou ainda agendado o debate mensal com o Governo
Regional para 02 de fevereiro, subordinado ao tema da Educação.Outro
pronto em análise foram as duas propostas do PS para a revisão da
Constituição e do Estatuto Político-Administrativo da Madeira.“Estas
duas iniciativas legislativas foram encaminhadas para a Comissão
Eventual para o Aprofundamento da Autonomia e Reforma do Sistema
Político”, informou o presidente do parlamento regional.Esta
comissão, presidida pelo deputado José Prada (PSD), vai também analisar
as propostas de PSD, CDS-PP e PS para a revisão do Regimento da
Assembleia Legislativa da Madeira, referiu José Manuel Rodrigues.