Parlamento da Madeira solicita relatório do grupo de trabalho para rever subsídio de mobilidade
24 de out. de 2024, 11:41
— Lusa/AO Online
A Comissão
Especializada de Economia e Mar da Assembleia Legislativa Regional
aprovou, por unanimidade, um requerimento do PSD que solicita ao
Governo da República o envio do relatório. Citado
numa nota enviada às redações, o presidente da comissão, Bruno Melim
(PSD), afirmou no final da reunião que, “sendo esta uma matéria
estruturante, no âmbito da autonomia regional e do princípio da coesão, é
fundamental que se conheçam as conclusões de um trabalho realizado por
diversas entidades do setor da aviação, bem como com algumas entidades
políticas, como os governos das regiões autónomas e o Governo da
República”.O parlamento madeirense
pretende, através da posse do relatório, ter “capacidade de resposta e
estar em cima dos acontecimentos”, de modo a “fazer a diferença no
âmbito da atuação política e das aspirações dos madeirenses e
porto-santenses que, já em 2017, votaram no parlamento madeirense o
pagamento único dos 65 euros (estudantes) e 86 euros (residentes)”, nas
viagens aéreas entre a região e o continente.O
grupo de trabalho, que tem como objetivo rever o modelo do subsídio
social de mobilidade nas viagens de avião entre as regiões autónomas e o
continente para residentes e estudantes, foi criado com o despacho n.º
7613/2024, de 12 de julho.Segundo a
publicação, o grupo de trabalho devia “concluir os seus trabalhos até 15
de setembro de 2024, com a entrega ao Governo de um relatório final”,
do qual deveriam constar “as recomendações relativas ao modelo de
subsídio social de mobilidade”.Presidido
pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), o grupo é constituído
por representantes do Ministério das Finanças, do Ministério das
Infraestruturas e Habitação, das regiões autónomas da Madeira e dos
Açores, da Inspeção-Geral de Finanças e da Direção-Geral do Tesouro e
Finanças.Nos Açores, o subsídio social de
mobilidade permite aos residentes no arquipélago deslocarem-se para o
continente com uma tarifa aérea máxima de 134 euros. Porém, é necessário
adquirir inicialmente a passagem pelo preço de venda e, só depois de
efetuada a viagem, todo o valor acima desta meta de 134 euros é
ressarcido a título de reembolso pelo Estado.Na
Madeira, foi fixado para os residentes o valor de 86 euros nas ligações
de ida e volta para o território continental, sendo também necessário
pagar a totalidade da passagem. A totalidade da diferença entre o valor
da passagem e os 86 euros é depois paga ao passageiro, caso a viagem não
ultrapasse os 400 euros. No despacho que
criou o grupo de trabalho, o Governo da República revela que desde 2014
houve um “encarecimento do custo elegível médio, com concentração
crescente dos pedidos de reembolso em escalões mais elevados”.Na
Madeira, os encargos globais com o subsídio social de mobilidade
aumentaram de seis milhões de euros, em 2014, para 45 milhões, em 2023,
enquanto nos Açores aumentaram de 9,9 milhões de euros, em 2014, para 81
milhões de euros, em 2023.Nos últimos
cinco anos, “foram desenvolvidas diversas operações policiais pela
Polícia Judiciária, visando desmantelar redes criminosas dedicadas à
utilização fraudulenta do subsídio social de mobilidade nos Açores e na
Madeira, num valor global de fraude aos cofres do Estado que será muito
superior a seis milhões de euros”.“É
necessário averiguar uma forma mais ágil e eficaz dos respetivos acertos
de contas, com a possibilidade de os residentes só pagarem até ao
limite máximo estipulado por bilhete sem necessidade de reembolsos
posteriores, mas salvaguardando, porém, que o mercado funcione, que as
linhas concorrenciais se mantenham e que a revisão deste modelo não
constitua um fator de afastamento das companhias aéreas destas rotas”,
lê-se na publicação.