Parlamento da Madeira quer reforçar combate às novas substâncias psicoativas
31 de jan. de 2023, 12:52
— Lusa/AO Online
“Acreditamos que é possível
atuar e reforçar os meios de prevenção, adotando medidas para evitar a
exposição a estas substâncias”, disse o deputado social-democrata Bruno
Melim, responsável pela apresentação dos diplomas no plenário na
Assembleia Legislativa da Madeira. A
maioria PSD/CDS-PP pretende alterar o decreto legislativo de 2012, que
aprova normas para a proteção dos cidadãos e medidas para a redução da
oferta de “drogas legais”, ou seja, produtos psicoativos que não constam
das listas de substâncias proibidas. A
proposta aponta para a duplicação das coimas na comercialização destas
drogas, que passam a ser entre 1.500 e 7.400 euros para pessoas
singulares e vão até 90.000 euros para pessoas coletivas, associadas a
punições como o encerramento do estabelecimento e interdição de acesso a
diversos apoios e direitos, como a benefícios fiscais, benefícios de
crédito, participação em conferências, feiras e mercados nacionais e
internacionais, e proibição de candidatura em contratos públicos.O
outro diploma da maioria PSD/CDS-PP é uma proposta de lei à Assembleia
da República, intitulada "Novo Procedimento de Inclusão das Novas
Substâncias Psicoativas na Lei de Combate à Droga”, com o objetivo de
acelerar a sua inscrição na lista de produtos proibidos, de acordo com
as indicações da Organização das Nações Unidas.As
propostas serão votadas na sessão plenária de quinta-feira, mas os
partidos da oposição – PS, JPP e PCP – já manifestaram o seu apoio,
embora com reservas. Sofia Canha, do PS, o
maior partido da oposição regional, disse que “combater o consumo por
via legislativa será difícil” e considerou que “a aposta deve ser, sem
dúvida, na ação preventiva”.Pelo JPP,
Paulo Alves seguiu o mesmo raciocínio, destacando que a repressão é
importante, mas o grande destaque deve ser colocado na prevenção, pelo
que criticou o facto de o Governo Regional (PSD/CDS-PP) ter
“desvalorizado” o programa escolar de sensibilização para a problemática
do consumo de drogas. O deputado único do
PCP, Ricardo Lume, defendeu também esta posição, sublinhando, por outro
lado, a importância de “identificar as causas” do problema e atuar a
partir daí.De acordo com dados oficiais, a
Polícia de Segurança Pública registou 97 processos relacionados com o
consumo de novas substâncias psicoativas em 2022, número semelhante ao
de 2021 (98 processos), mas a quantidade apreendida foi substancialmente
superior – 12.000 gramas, face às 2.190 gramas do ano passado. Antes,
em 2021, dados apresentados num seminário promovido pela PJ revelaram
que o consumo destas substâncias na Madeira era quatro vezes superior ao
nível nacional, sendo que os valores nos Açores eram semelhantes. As
novas drogas psicoativas entram no arquipélago sobretudo por via
postal, circunstância que também dificulta o combate ao tráfico, e os
consumidores são na maioria jovens adultos com idades entre os 20 e os
40 anos.