Parlamento da Madeira institui feriado regional do Dia da Autonomia a 02 de abril
27 de nov. de 2024, 15:35
— Lusa/AO Online
A proposta foi feita
pela Comissão para as Comemorações dos 50 anos da Autonomia, presidida
pelo social-democrata João Cunha e Silva, e foi subscrita por todos os
partidos com assento no parlamento.Segundo
o documento, a 01 de julho a Região Autónoma da Madeira comemora a
data que evoca a descoberta da ilha da Madeira e “a 02 de abril
pretende-se evidenciar e assinalar a conquista da autonomia, enquanto
aspiração de séculos do povo madeirense, finalmente traduzido no texto
constitucional português, realçando a sua importância para as profundas
transformações políticas, económicas, sociais, culturais e desportivas
da Madeira e Porto Santo”.A data foi
escolhida por ter sido na sessão plenária de 02 de abril de 1976 que foi
aprovada e decretada a nova Constituição da República Portuguesa, que
consagrou pela primeira vez que "os arquipélagos dos Açores e da Madeira
constituem regiões autónomas dotadas de estatutos
político-administrativos e de órgãos de governo próprio".“A
autonomia tem de se manter viva. A consagração da autonomia ocorre num
momento especial, num momento que deve ser para sempre comemorado”,
declarou na sessão o deputado do PSD Brício Araújo.Pelo
PS, Marta Freitas defendeu que “a autonomia não tem donos, é uma
conquista de todos”, e que assinalar a sua importância “não se esgota na
comemoração de um feriado”, já que é preciso continuar “a lutar por uma
Madeira mais justa”.Para a eleita
socialista, “a Madeira tem um potencial de crescimento enorme, que tem
sido desperdiçado pelo PSD”, e “a autonomia não pode ser usada como uma
bandeira política”, mas deve ser respeitada.Por
seu turno, o líder parlamentar do Juntos Pelo Povo (JPP), Élvio Sousa,
argumentou que o regime dos arquipélagos da Madeira e Açores se
fundamenta nas características, geográficas, económicas, sociais e nas
“históricas aspirações autonomistas das populações insulares”, que visam
a participação democrática dos seus cidadãos.Élvio
Sousa criticou o que considerou ser “a mentalidade vigente de que a
autonomia afeta a soberania do Estado - esta só veio foi a fortalecer”.Quanto
ao deputado único da Iniciativa Liberal (IL), Nuno Morna, sublinhou
“ter grande dificuldade com a data” por ser a da consagração do dia de
aprovação de uma Constituição que ainda tem no seu preâmbulo que Abril
“abriu caminho para uma sociedade socialista”.No
seu entender, o Dia da Autonomia deveria ser 04 de abril, pois em 1931,
nessa data, houve a Revolta da Madeira: “O povo madeirense esteve na
rua e durante um mês a Madeira decidiu as suas coisas, foram madeirenses
de corpo inteiro”, afirmou, acrescentando ter sido “um momento de
resistência de luta pela autonomia”.“O dia 04 de abril seria muito mais adequado, mas prevaleceu a vontade da maioria”, indicou.