Parlamento da Madeira espera que alterações à lei eleitoral sejam aplicadas nas regionais antecipadas
15 de jan. de 2025, 17:04
— Lusa/AO Online
“É uma
alteração profunda da lei, no sentido de acomodar dois aspetos
importantes, o voto antecipado em mobilidade e a paridade, que será
válido em próximos atos eleitorais, esperando assim que, já no próximo,
tal seja possível”, disse o presidente da comissão eventual, o
social-democrata Jaime Filipe Ramos, citado em comunicado.A
nota do parlamento regional foi emitida depois de a Comissão de
Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia
da República ter hoje aprovado na especialidade as alterações à lei
eleitoral da Madeira, que incluem a introdução da paridade nas listas
eleitorais, o voto em mobilidade antecipado e matrizes em braille.A
proposta de lei, uma iniciativa da Assembleia Legislativa da Madeira
com base num documento conjunto do PSD e PS, tinha já sido aprovada na
generalidade, por unanimidade, na sexta-feira. Jaime
Filipe Ramos manifestou “grande satisfação” por se “ter conseguido
alcançar um dos grandes propósitos que era a alteração da Lei
Eleitoral”, sublinhando, no entanto, que “houve outros propósitos que
não (…) foram possíveis concluir pela falta de tempo, como a reposição
dos círculos eleitorais concelhios e criação do círculo eleitoral da
emigração.”De acordo com Jaime Filipe
Ramos, o objetivo de todos os intervenientes é que, após a votação
global final, as alterações possam entrar em vigor já no próximo ato
eleitoral, considerando que a crise política que se vive atualmente na
Madeira poderá resultar na convocação de eleições antecipadas.A
aprovação da proposta abre caminho para que a Madeira deixe de ser a
única região do país onde as listas eleitorais não têm de obedecer ao
princípio de incluir pelo menos um terço de pessoas de um dos sexos.Além
disso, a participação eleitoral será alargada, ao permitir o voto a
pessoas em mobilidade antecipado e com deficiência visual,
disponibilizando matrizes em braille.O
Governo Regional minoritário do PSD foi derrubado a 17 de dezembro de
2024, com a aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Chega,
que a justificou com as investigações judiciais que envolvem Miguel
Albuquerque e quatro secretários regionais, todos constituídos arguidos.A
aprovação da moção de censura, inédita na Região Autónoma da Madeira,
implicou, segundo o respetivo o Estatuto Político-Administrativo, a
demissão do Governo Regional, constituído a 06 de junho, que
permanecerá em funções até à posse do novo executivo.