Parlamento da Madeira defende manutenção dos programas de ocupação de desempregados na região
13 de mar. de 2024, 13:14
— Lusa/AO Online
“Infelizmente,
estes programas foram pervertidos e hoje já existe um conjunto de
organismos públicos, no Governo, nas autarquias, nas instituições
particulares [de solidariedade social], com postos de trabalho
assegurados por trabalhadores ao abrigo destes programas”, afirmou o
deputado único comunista Ricardo Lume, vincando que se instalou um
“carrossel de precariedade”.O PCP
apresentou, por isso, um projeto de resolução intitulado "Combate ao uso
abusivo de programas de ocupação de desempregados e estágios
profissionais com o fim de substituição de postos de trabalho
permanentes”, que foi debatido na sessão plenária de hoje e será votado
na quinta-feira. Ricardo Lume sublinhou
que há desempregados que passam “anos e anos” integrados nestes
programas, auferindo um vencimento de 624 euros, e trabalham 30 horas
por semana, sem direito aos subsídios de férias e de natal, condição que
classificou como uma “nova forma de escravatura”.“Esta
é uma realidade que tem de terminar na Região Autónoma da Madeira”,
afirmou, para logo realçar que o uso recorrente aos POT prova que há
“necessidades permanentes” na administração pública e nas instituições
particulares, pelo que o posto de trabalho deve corresponder a um
vínculo laboral efetivo. O deputado
comunista indicou que do total de 4.869 pessoas que receberam apoios ao
nível do Instituto de Emprego da Madeira em 2023, 54,7% integravam
programas de ocupação de desempregados e estágios profissionais.Os
partidos da maioria - PSD, CDS-PP e PAN –, bem como o PS, maior partido
da oposição, o JPP, o Chega, a IL e o BE manifestaram-se favoráveis à
manutenção dos POT, mas divergiram em relação ao diploma do PCP. O
deputado social-democrata Carlos Fernandes recusou que haja um uso
abusivo, vincando que os POT são uma “oportunidade de esperança e de
mudança” para muitas pessoas com dificuldade de inserção no mercado de
trabalho.O parlamentar indicou, por outro
lado, que 50% dos utentes abrangidos são desempregados de longa duração e
cerca de 60% tem apenas o 6.º ano de escolaridade. “O POT é um meio para ajudar e melhorar a empregabilidade, fazendo com que as pessoas se sintam úteis”, disse. Já
a bancada do PS considerou haver uso abusivo dos POT e acusou o Governo
Regional, de coligação PSD/CDS-PP, com o apoio parlamentar do PAN, de
promover a precariedade laboral. “Não
podemos desvirtuar a essência dos POT. O objetivo é a inserção na vida
laboral. Se o posto de trabalho é ocupado temporariamente por mais de
dois anos, significa que é essencial”, avisou a deputada socialista
Isabel Garcês. Pelo JPP, o deputado Paulo
Alves considerou que o subsídio de 624 euros canalizado através dos
programas de ocupação temporária de desempregado é “muito baixo”, mas
afirmou que não há uso abusivo do mecanismo em todas as instituições.“As
juntas de freguesia precisam de recorrer aos POT porque não têm verbas
para pagar funcionários, apesar de lhes terem sido atribuídas novas
funções”, alertou.O deputado único da
Iniciativa Liberal, Nuno Morna, disse, por seu lado, que os POT visam
“mascarar a real dimensão do desemprego”, sublinhando que devem ser
repensados urgentemente, uma posição também defendida pelo deputado
único do BE, Roberto Almada.Na sessão
plenária de hoje, foi ainda debatido um projeto da autoria da IL que
recomenda ao Governo Regional da Madeira realizar as cirurgias
destinadas à construção dos Acessos Vasculares subcutâneos - Fistula
(FAV) ou Pontagem arteriovenosa (PAV), em todos os doentes insuficientes
renais capazes de receber esta intervenção.A
Iniciativa Liberal apresentou também um voto de solidariedade para com o
povo ucraniano, que contou com o apoio de todos os partidos.