Parlamento da Madeira contra centralização da gestão de fundos europeus para o período 2028-2034
29 de mai. de 2025, 17:39
— Lusa/AO Online
O parlamento
madeirense aprovou, por unanimidade, em sessão plenária, um projeto de
resolução do PSD que recomenda ao Governo da República que se oponha à
possibilidade de centralização na gestão dos fundos europeus no Quadro
Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034. O
documento refere que, numa altura em que a União Europeia está a definir
o próximo QFP 2028-2034, “têm surgido tensões entre os Estados-Membros,
sobretudo quanto ao aumento do orçamento europeu para responder a
desafios nas áreas da Defesa e da Competitividade, mas também
relativamente à intenção de avançar para uma centralização da gestão dos
fundos”.“Uma gestão centralizada
significa que o Governo da República se torna na entidade definidora das
prioridades nacionais, controlando [a] programação, a aprovação e
monitorização dos projetos”, criticam os sociais-democratas,
acrescentando que a implementação desta medida afastaria as entidades
regionais dos processos de decisão.“Trata-se,
portanto, de um risco sério para a coesão territorial, para a autonomia
política e administrativa e para a eficácia da aplicação dos fundos,
sobretudo para as regiões com estatuto autonómico, insular e
ultraperiférico, e com especificidades territoriais próprias, como é o
caso da Região Autónoma da Madeira”, é defendido no projeto de
resolução. A Assembleia Legislativa da
Madeira recomenda, assim, que o executivo nacional, liderado por Luís
Montenegro, “reivindique a consagração de um modelo de governação
multinível, capaz de reforçar a autonomia das regiões ultraperiféricas
na definição, execução e avaliação das políticas financiadas por fundos
europeus”.O parlamento insular pede também
ao Governo da República que “defenda nas negociações com as
instituições europeias a especificidade e a ultraperiferia da Madeira e
dos Açores, garantindo uma repartição justa e proporcional dos recursos e
a participação nos processos de decisão”.“A
Assembleia Legislativa da Madeira delibera, ainda, encaminhar esta
resolução ao Parlamento Europeu, à Comissão Europeia e ao Comité das
Regiões, reforçando que a Região Autónoma da Madeira, enquanto região
ultraperiférica, exige ser parte ativa na construção europeia”, lê-se no
documento.Apesar da unanimidade na
votação, a discussão do projeto de resolução do PSD foi marcada por
algumas críticas por parte da oposição, com o Chega a acusar os
executivos regionais sociais-democratas de “falta de transparência” na
aplicação dos fundos e o PS a questionar se o Governo Regional não se
sente representado pelo Governo da República.Na
sessão plenária de hoje foi ainda aprovado um projeto de resolução do
JPP que recomenda ao Governo Regional (PSD/CDS-PP) o lançamento de uma
campanha de prevenção rodoviária. A proposta contou com a abstenção do
PSD, CDS-PP e Chega e os votos favoráveis do PS, JPP e IL.A
Assembleia Legislativa rejeitou, por outro lado, um conjunto de
iniciativas do PS, à semelhança do que já tinha acontecido na semana
passada e que, na quarta-feira, motivou críticas da bancada socialista,
que lamentou a “falta de diálogo” da maioria PSD/CDS-PP.Os
diplomas dos socialistas para alterar o regime jurídico dos percursos
pedestres, proteger a economia regional das tarifas dos Estados Unidos
da América e criar um programa de saúde mental nas escolas foram hoje
rejeitados.Também foi chumbada uma
proposta de lei à Assembleia da República, da autoria do PS, visando um
regime excecional temporário de cumprimento de obrigações fiscais, de
modo a auxiliar a economia regional perante a aplicação de direitos
aduaneiros impostos pelos Estados Unidos da América.