Parlamento confirma travão ao fim da publicidade na RTP
OE2025
26 de nov. de 2024, 18:06
— Lusa/AO Online
A proposta dos
bloquistas foi avocada para o debate em plenário desta manhã pelos
sociais-democratas que acusaram, pelo deputado Ricardo Araújo, os
partidos que viabilizaram a proposta de criarem uma “coligação negativa”
para “boicotar o trabalho do Governo”.A
proposta do BE, tal como no primeiro dia de votações na especialidade da
proposta do Orçamento do Estado para 2025, foi viabilizada com os votos
favoráveis do PS, Chega, IL, PCP, BE, Livre e PAN e o voto contra dos
partidos que integram a coligação AD (PSD e CDS-PP).Ao
longo do debate, a deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua,
acusou o ministro de incompetência e de não “garantir nenhum
financiamento para a RTP”, questionando Pedro Duarte sobre se
respeitaria o que ficasse definido no documento orçamental relativamente
à publicidade na RTP - uma questão à qual o governante não deu
resposta.Mara Lagriminha, do PS, sublinhou
que a proposta do Bloco é “justa e razoável”, afirmando que a AD
pretende um “corte no financiamento” que terá como consequências,
argumentou, “um serviço público à americana, pequenino, completamente
irrelevante”.Do PCP, António Filipe
afirmou que os partidos do Governo não têm um “único argumento válido”
para justificar o fim da publicidade na RTP, e que o que o executivo
pretende fazer é equivalente a “chegar a um trabalhador e dizer que é
preciso que tenha uma melhor vida” para depois anunciar a redução do seu
salário.À direita, o deputado da IL
Rodrigo Saraiva sublinhou que a RTP continuará a ter publicidade, por
exemplo, nas suas plataformas digitais e patrocínios, enquanto João
Almeida, do CDS-PP, apelou a que este debate fosse feito fora do âmbito
orçamental.Na réplica, o ministro dos
Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, disse que o PS é o principal
responsável pela “degradação evidente do setor da comunicação social” em
Portugal” e acusou a esquerda de ter a tentação de “repetir muitas
vezes uma falsidade e uma mentira” para que “passe a ser verdade”,
garantindo que, ao contrário das acusações à esquerda, é falso que haja
uma intenção de cortar financiamento e enfraquecer a RTP.Pedro
Duarte argumentou também que o Governo quer uma “RTP para os cidadãos” e
não “para os anunciantes” e disse que a oposição baseia a sua
intervenção numa “voracidade oposicionista de ser contra porque são
contra”.“Para os senhores não interessa o
país, interessa sim os vossos interesses partidários e, portanto, quanto
mais puderem prejudicar a ação do Governo, mais os senhores se sentem
satisfeitos, mesmo que isso cause prejuízos ao país”, atirou.O
ministro elencou ainda vários exemplos de estações televisivas estatais
na Europa que não têm publicidade e lembrou que, atualmente, apenas a
RTP 1, entre todos os canais do seu ecossistema, tem atualmente
publicidade.“Nós não temos publicidade em
lado nenhum, só na RTP 1, mas pelos vistos agora é, de facto, a vaca
sagrada do sistema”, acrescentou Pedro Duarte.Foram debatidas e votadas várias outras medidas avocadas
pelos partidos, como a do PS para a fixação de profissionais de saúde, a
majoração do abono de família proposta pelo Livre ou o fim dos impostos
nas gorjetas proposto pelo Chega, que foram chumbadas na passada
sexta-feira, e não registaram qualquer alteração nas suas votações.