Parlamento confere urgência a nova unidade da PSP e leis de imigração e nacionalidade
10 de jul. de 2025, 17:10
— Lusa/AO Online
Estas
deliberações, que foram submetidas a apreciação e votação do plenário
pelo presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco,
motivaram uma tensa discussão entre as bancadas da esquerda e da direita
parlamentar.A concessão de processo de
urgência à proposta de lei do Governo que revê a lei da nacionalidade -
cuja discussão o PSD pretende encerrar em setembro - teve os votos
contra de todas as bancadas da esquerda (PS, Livre, PCP, Bloco de
Esquerda, JPP e PAN) e a favor de toda a direita (PSD, Chega, Iniciativa
Liberal e CDS).No que respeita à proposta
que altera o regime jurídico de entrada, permanência, saída e
afastamento de estrangeiros do território, a qual os sociais-democratas
querem proceder à sua votação final global no próximo dia 16 – o último
plenário com votações antes das férias do verão – a IL votou contra ao
lado da esquerda parlamentar, mas a deliberação foi aprovada pela
maioria PSD, Chega e CDS.Mais consensual
foi a concessão de processo de urgência à criação da nova Unidade de
Fronteiras da PSP, que teve acolhimento favorável por parte do PSD,
Chega, PS e Iniciativa Libera, com abstenções do PCP e JPP e votos
contra do BE, Livre e PAN.Durante o
debate, o PS acusou o PSD e o Chega de pretenderem “atropelar as boas
regras” de tramitação legislativa do parlamento, recusando audições no
caso da lei de estrangeiros, e de colocarem em causa o prestígio da
Assembleia da República enquanto órgão de soberania, sobretudo quando
estão em causa dúvidas de constitucionalidade no caso proposta de lei
que revê a lei da nacionalidade.O
presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, apelou
mesmo à intervenção do presidente da Assembleia da República, que antes
admitira aspetos de constitucionalidade duvidosa.Na
resposta, José Pedro Aguiar-Branco admitiu que “pode haver nestes
diplomas matérias que venham a ser consideradas inconstitucionais, para
as quais chamara a atenção”.“Portanto,
esse risco está inerente à votação que será feita aqui no plenário”,
declarou, embora já depois de ter frisado que, enquanto presidente da
Assembleia da República, lhe competia colocar aquelas deliberações à
apreciação dos deputados em plenário.Pela
parte do Chega, CDS e PSD, na resposta às bancadas da esquerda,
invocou-se sobretudo “urgência” na aprovação dos diplomas, com o
democrata-cristão João Almeida a falar mesmo nos “riscos do efeito de
chamada” no caso de a nova lei que regula a imigração ser protelada na
sua entrada em vigor.O presidente do Grupo
Parlamentar do PSD, Hugo Soares, salientou a vontade da maioria em
torno das propostas do Governo e usou a famosa expressão do antigo
ministro socialista António Vitorino quando se dirigiu à bancada do PS:
“Habituem-se”.Antes, o líder parlamentar
do Chega, Pedro Pinto, acusara as bancadas da esquerda de “não
respeitarem a democracia” e justificou a urgência “pela bandalheira
criada pelos governos socialistas na imigração, controlo de fronteiras e
concessão da nacionalidade portuguesa”.Na
primeira intervenção, o “vice” da bancada socialista Pedro Delgado
Alves criticou PSD, Chega e CDS por estarem a “degradar o procedimento
legislativo parlamentar, diminuindo a participação, a ponderação, a
qualidade da democracia”.“Aqui se
evidencia de uma forma muito clara o objetivo de passar um rolo
compressor pelos procedimentos parlamentares da calma, da ponderação e
da qualidade legislativa”, declarou, argumento parcialmente também
partilhado pelos deputados do JPP Filipe Sousa e do PAN Inês de Sousa
Real.A líder parlamentar do Livre, Isabel
Mendes Lopes, lamentou a de se ouvirem entidades diretamente envolvidas
na problemática da imigração e a presidente da bancada comunista, Paula
Santos, falou mesmo em “imposição” por parte desses dois partidos.Já
a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, visou José Pedro
Aguiar-Branco questionando-o se estava a assumir o papel de secretário
do Grupo Parlamentar do PSD. Aguiar-Branco
respondeu logo a seguir, lendo-lhe o Regimento. A seguir, rematou: “Não
está na soberania do presidente da Assembleia da República - e eu
respeito o Regimento - fazer ou não fazer. Senhora deputada, eu sou tudo
menos secretário de qualquer grupo parlamentar”.