Parlamento com amplo consenso sobre revisão dos abonos e subsídios dos deputados
4 de jul. de 2019, 17:37
— Lusa/AO online
No debate, em plenário, todos os
grupos parlamentares congratularam-se por se ter conseguido encontrar um
"mínimo denominador comum" nas mudanças de regras no que respeita ao
pagamento de abonos e subsídios aos deputados, e foi elogiado o trabalho
desenvolvido pelo coordenador deste grupo de trabalho, o socialista
Jorge Lacão.No entanto, em paralelo,
também a maioria das bancadas, incluindo o PSD, expressou insatisfação
por não se ter ido mais longe no sentido de se operar uma reforma mais
profunda neste domínio da transparência no pagamento de subsídios e
abonos aos deputados. E não se foi mais longe por o calendário
parlamentar (fim de legislatura) não o ter permitido. Na
origem das mudanças que serão em breve efetivadas, estiveram problemas
ou casos como dúvidas sobre a efetividade das moradas declaradas pelos
deputados, a existência até agora de duplicação de apoios para o
pagamento de viagens, ou o pagamento de abonos para despesas
independentemente da sua demonstração.A
resolução que irá entrar em vigor prevê três alterações essenciais:
Impõe que a morada que conta para efeitos de pagamentos com a Assembleia
da República é aquela que consta do cartão do cidadão de cada um dos
deputados; fica impedido o recebimento duplo de quaisquer abonos (por
exemplo, em viagens); e todos os abonos que são pagos, ou são
tributados, ou estão dependentes da demonstração de efetividade dessas
despesas."O PSD pretendia fazer uma
reforma profunda, de máxima simplificação, através da criação de um
subsídio único apenas diferenciado pelo círculo eleitoral e tudo sujeito
a tributação, mas não foi agora possível. Não sendo a presente solução
consensualizada uma reforma estrutural, penso que com ela todos
poderemos viver", declarou o dirigente da bancada social-democrata
António Leitão Amaro.O vice-presidente da
bancada socialista Pedro Delgado Alves elogiou "o esforço de
concertação" entre os diferentes grupos parlamentares, sustentando que o
resultado final "responde às questões essenciais"."Com
a aprovação desta resolução, responde-se às dúvidas antes levantadas
pelo Tribunal de Contas, bem como por parte de outras entidades que
acompanham a atividade da Assembleia da República", observou Pedro
Delgado Alves.O líder parlamentar do Bloco
de Esquerda, Pedro Filipe Soares, considerou que as matérias dos
subsídios e dos abonos a pagar aos deputados "terão de ser revisitadas
na próxima legislatura" e que só não se foi mais longe por a presente
legislatura se encontrar perto do final."Acompanhamos
algumas das soluções propostas e conseguimos responder às questões
levantadas pelo Tribunal de Contas. Deixa de haver dupla subsidiação, em
particular no pagamento de viagens aos deputados das regiões autónomas"
da Madeira e dos Açores, apontou Pedro Filipe Soares.Também
o deputado do CDS-PP António Carlos Monteiro se congratulou com o fim
desses "duplos apoios", alegou que a grande preocupação do seu partido
foi "rever o sistema sem aumentar a despesa" e considerou que a presente
solução "é minimalista, tendo em vista resolver casos que afetaram o
prestígio da Assembleia da República"."Esta
solução não é ótima, não é boa, mas é a possível. Por mais que se façam
regras, deve contar a conduta de cada um dos deputados", advertiu
António Carlos Monteiro - um princípio também logo a seguir salientado
pelo deputado do PCP António Filipe.António
Filipe fez questão de referir que "nenhum deputado do PCP" esteve
envolvido nos casos que geraram elevada controvérsia na opinião pública,
designadamente em termos de pagamento duplicado de viagens ou de
comunicação de uma morada que não a de residência."Esta
legislação é um denominador comum e um passo positivo para a fixação de
critérios mais rigorosos. Mas é bom que os comportamentos [dos
deputados] sejam compatíveis com aquilo que é eticamente aceitável",
acrescentou.