Parlamento chumba propostas de inclusão do jornalismo no estatuto de utilidade pública
27 de jan. de 2025, 09:51
— Lusa/AO Online
As votações decorreram
na sessão plenária e as propostas foram rejeitadas com os votos contra
do PSD, Chega, CDS-PP e do deputado não inscrito Miguel Arruda. Os
restantes partidos, PS, Iniciativa Liberal, PCP e PAN, votaram a favor.O grupo parlamentar do Bloco
de Esquerda (BE) apresentou, a 10 de janeiro, um projeto de lei para
incluir o jornalismo sem fins lucrativos na lei-quadro do estatuto de
utilidade pública. Já a 18 de setembro de
2024, o Livre apresentou um projeto neste sentido, assinalando que o
setor do jornalismo enfrenta, atualmente, “uma grave crise a que importa
dar resposta”.No debate
parlamentar, os partidos com assento parlamentar tinham-se mostrado
divididos quanto à inclusão do jornalismo sem fins lucrativos no
estatuto de utilidade pública, destacando reservas face ao risco de
surgirem entidades para defender interesses privados ou políticos.No
diploma, o BE defendeu que apoiar os projetos de jornalismo sem fins
lucrativos é uma das formas de promover a “pluralidade de órgãos de
comunicação social” e um jornalismo independente em Portugal.“O
acesso ao estatuto de utilidade pública pode permitir que, de forma
transparente, os projetos jornalísticos levados a cabo por organizações
sem fins lucrativos ampliem as suas fontes de financiamento e gozem dos
benefícios constantes no referido estatuto”, referiu.O
Livre apresentou um projeto no mesmo sentido, assinalando que o setor
do jornalismo enfrenta, atualmente, “uma grave crise a que importa dar
resposta”.Para este grupo parlamentar, a
inclusão das organizações sem fins lucrativos que exercem como atividade
principal o jornalismo na lista de entidades que podem beneficiar do
estatuto de utilidade pública é uma medida simbólica, mas também abre a
possibilidade de aumentar e diversificar o investimento aos órgãos de
comunicação social.Já a votação do ponto
quatro da ordem de trabalhos, que incluía cinco propostas no âmbito do
regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, foi adiada
devido ao atraso de mais de uma hora do plenário. O
debate deste ponto contou apenas com a intervenção do PCP, que
sublinhou a importância da aprovação das propostas "para defender
interesses dos trabalhadores e das empresas", como salientou Alfredo
Maia.