Parlamento autoriza estado de emergência com votos a favor de PS e PSD
Covid-19
20 de nov. de 2020, 10:41
— Lusa/AO Online
Votaram contra esta renovação do
estado de emergência PCP, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e a deputada
não inscrita Joacine Katar Moreira.BE, CDS-PP e PAN abstiveram-se, enquanto a deputada não inscrita Cristina Rodrigues votou a favor.Em
relação à votação de há quinze dias, mudaram de posição o CDS-PP - até
agora tinha votado sempre a favor e hoje absteve-se - e o Chega, que
votou a favor na primeira declaração do estado de emergência, em março, e
se absteve nas restantes, 'estreando-se' hoje no voto contra.O
atual período de estado de emergência começou às 00:00 no passado dia
09 e termina às 23:59 da próxima segunda-feira, 23 de novembro e o
próximo, que deverá ser hoje decretado pelo Presidente da República, vai
decorrer entre 24 de novembro e 08 de dezembro.Anunciaram
a apresentação de declarações de voto escritas os deputados do CDS-PP
Telmo Correia e João Pereira Gonçalves e a deputada do PS Isabel
Moreira.Esta foi a quinta votação na
Assembleia da República sobre o estado de emergência, que não pode ter
duração superior a 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações, e que
vigorou em Portugal por três períodos consecutivos (45 dias) na fase
inicial da epidemia de covid-19, entre 19 de março e 02 de maio.O
projeto de decreto proposto pelo Presidente da República ao parlamento
volta a permitir o confinamento compulsivo de pessoas infetadas ou em
vigilância ativa, assim como o encerramento total ou parcial de
estabelecimentos, serviços e empresas. O
texto que pede autorização ao parlamento para renovar o estado de
emergência permite que sejam adotadas medidas restritivas para conter a
covid-19 por grupos de municípios, incluindo a proibição da circulação
em determinados períodos ou dias da semana, e indica que “pode ser
limitada a possibilidade de cessação dos vínculos laborais dos
trabalhadores dos serviços e estabelecimentos integrados no Serviço
Nacional de Saúde”.O estado de emergência
permite suspender o exercício de alguns direitos, liberdades e
garantias, que têm de estar especificados na respetiva declaração. A
primeira declaração do estado de emergência, em março, contou com votos
favoráveis de PS, PSD, BE, CDS-PP, PAN e Chega e abstenções de PCP,
PEV, Iniciativa Liberal e da deputada não inscrita Joacine Katar
Moreira.Na segunda votação, passou a haver
um voto contra, do deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim
Figueiredo, e o deputado único do Chega, André Ventura, absteve-se
juntamente com PCP, PEV e Joacine Katar Moreira.Na
terceira, também o PCP e a deputada Joacine Katar Moreira votaram
contra, ao lado da Iniciativa Liberal, enquanto Chega e PEV se
abstiveram.Há quinze dias, BE e PAN
juntaram-se aos abstencionistas e o PEV aos votos contra, e a declaração
do estado de emergência contou apenas com o apoio expresso de PS, PSD e
CDS-PP.Hoje, esse voto favorável
reduziu-se aos dois maiores partidos, que representam em número de
deputados mais de 81% do parlamento.O
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que terá de decretar
formalmente o estado de emergência, falará hoje ao país pelas 20h00 (menos uma nos Açores).O
Governo, a quem cabe regulamentar a aplicação do estado de emergência,
irá reunir o Conselho de Ministros hoje à tarde para adotar medidas ao
abrigo deste quadro legal, que apenas serão anunciadas no sábado.