Parlamento aprova hoje orçamento suplementar de resposta à crise
OE2020
3 de jul. de 2020, 06:19
— Lusa/AO Online
O
PCP e o PEV já anunciaram que votam contra a proposta, juntando-se ao
CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, depois de terem optado pela
abstenção na generalidade. O documento será viabilizado pelo PSD e pelo
BE, que decidiram manter a abstenção.O
diploma, que prevê uma queda do produto de 6,9% e necessidades de
financiamento extra na ordem dos 13 mil milhões de euros, tinha sido
aprovado na generalidade no dia 17 de junho, apenas com os votos contra
do CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal.Só o
PS votou a favor e os restantes, PSD, BE, PCP, PAN, PEV e a deputada
não inscrita Joacine Katar Moreira, abstiveram-se na proposta, que sobe o
teto de endividamento das empresas públicas para 3%, face aos 2%
previstos no Orçamento do Estado aprovado antes da pandemia de covid-19No
debate em especialidade, foram consagradas algumas das alterações
propostas pelos partidos, como por exemplo uma do PSD para o pagamento
de um apoio extra aos sócios-gerentes das micro e pequenas empresas e
empresários em nome individual, que pode ser de 635 ou 1.905 euros.A
atribuição de um prémio de desempenho equivalente 50% da remuneração
aos profissionais da Saúde diretamente envolvidos no combate à covid-19,
proposta pelo PSD, a redução do valor das rendas pagas pelos lojistas
nos centros comerciais e a suspensão automática do pagamento por conta
das micro, pequenas empresas, do PCP, foram algumas das alterações. Por
iniciativa do BE, foi aprovada uma proposta para que, em vez de um
comprovativo de perda de rendimentos, seja necessária uma declaração de
honra para os apoios ao arrendamento do Instituto da Habitação e da
Reabilitação Urbana.O PS viabilizou
propostas de partidos da oposição que proíbem apoios públicos a empresas
sediadas em paraísos fiscais ('offshore') e propôs a criação de um
adicional de solidariedade sobre o setor bancário, cuja receita,
estimada em 33 milhões de euros, é consignada ao Fundo de Estabilização
Financeira da Segurança Social.Entre
outras medidas, o Governo prevê neste diploma uma verba de 500 milhões
de euros para o aumento do orçamento do Serviço Nacional de Saúde e
aumenta também as prestações sociais em 1.000 milhões de euros face ao
orçamento do Estado para 2020. Em termos
de medidas fiscais, o Orçamento Suplementar terá ainda incorporado uma
isenção total ou parcial do pagamento por conta do IRC em função da
quebra de faturação observada pelas empresas durante o primeiro semestre
deste ano. Haverá uma redução de 50% para as empresas com uma quebra de
faturação superior a 20%, e uma isenção para as que registem quebras
superiores a 40%, o que inclui praticamente todas dos setores da
restauração e do alojamento.