Parlamento aprova audição urgente do ministro das Finanças sobre IRS
24 de abr. de 2024, 11:20
— Lusa/AO Online
O
requerimento para audição de Miranda Sarmento foi apresentado pelo Chega
e não teve quaisquer votos contra. Todos os grupos parlamentares
votaram a favor, incluindo o do PSD, enquanto o Livre se absteve.O
deputado do Chega Rui Afonso considerou que a descida do IRS (Imposto
sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) se revelou uma "situação muito
dúbia, muito ambígua" e que é "preciso perceber a estratégia [do
Governo] para a legislatura em termos de redução de IRS".Pelo
PSD, Hugo Carneiro disse que o partido votava favoravelmente porque
“não tem qualquer problema em trazer o senhor ministro das Finanças ao
parlamento para dar esclarecimentos”, ainda que já hoje Miranda Sarmento
vá ao parlamento discutir o IRS, acusando o PS de quando era Governo
ter tentado travar os seus governantes de irem à AR.O
deputado do PSD disse ainda que é interessante “verificar a lógica de
competição pela liderança da oposição” e que o PS vem agora fazer uma
proposta de diminuição de IRS “quando nunca teve antes interesse de ir
mais longe, como a AD propunha”.Pelo PS,
Carlos Pereira considerou que esta audição é útil para o governante
poder novamente "explicar aos portugueses qual o objetivo de em campanha
terem apresentado uma proposta que se baseava no PS", pois a "grande
redução de IRS que vai acontecer em 2024 é responsabilidade do PS e não
da AD".A 12 de abril, em entrevista à
RTP, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, clarificou que
os 1.500 milhões de euros de redução do IRS este ano anunciados pelo
primeiro-ministro, Luís Montenegro, afinal não se vão somar aos mais de
1.300 milhões de euros de alívio fiscal inscritos no Orçamento do Estado
para 2024 e já em vigor. Nesse dia, sexta-feira, o Expresso tinha
publicado em manchete "Montenegro duplica descida de IRS até ao verão”.Partidos de oposição acusaram então o Governo de estar a tentar enganar os portugueses.Na
sexta-feira à noite, o diretor do Expresso, João Vieira Pereira,
publicou um esclarecimento a dizer que o jornal publicou uma notícia
falsa, que foi feita com base nas declarações do primeiro-ministro e com
contactos a fontes, mas que o jornal não contava "com o facto de o
primeiro-ministro ter, no parlamento, ludibriado os portugueses".Já
o Governo, em comunicado, considerou “verdadeiro e indesmentível” que
as reduções no IRS levarão a um corte de 1.500 milhões de euros face a
2023 e defendeu que maiores diminuições das taxas de IRS seriam
“orçamentalmente irresponsáveis”.O
executivo disse ainda que se "alguns atores políticos ou mediáticos"
tivessem suposto tratar-se de mais reduções de IRS, isso só a esses
responsabiliza e acrescenta que reduções de valores superiores seriam
“orçamentalmente irresponsáveis”.Hoje à
tarde, o parlamento discute a proposta do Governo que altera as taxas do
IRS com todos os partidos a apresentarem alternativas, sendo incerto o
desfecho das votações, tendo em conta o equilíbrio de forças na
Assembleia da República.A proposta do
Governo, aprovada pelo Conselho de Ministros no final da semana passada,
contempla uma redução de taxas entre 0,25 e 3 pontos percentuais até ao
8.º escalão de rendimento, com as maiores descidas (3 e 1,25 pontos) a
incidirem, respetivamente, sobre o 6.º e o 8.º escalões de rendimento.A
solução desagradou ao PS, que acusou o Governo de focar o alívio fiscal
(contabilizado em 348 milhões de euros em 2024) nos rendimentos mais
altos, levando os socialistas a avançar com uma proposta de alteração
que centra a parte mais significativa do alívio em escalões mais baixos.Na sessão plenária de hoje vão também estar iniciativas dos restantes partidos da oposição igualmente no âmbito do IRS.