Parlamento açoriano unânime em voto de protesto contra a violência doméstica
16 de jun. de 2021, 17:22
— Lusa/AO Online
“Os Açores têm
sido, sucessivamente, a região do país com maior taxa de incidência de
casos de violência doméstica. Em 2019, o Gabinete de Apoio à Vítima de
Ponta Delgada registou mais de 1.000 atendimentos a 285 vítimas sobre
1048 crimes”, afirmou a deputada social-democrata Sabrina Furtado, no
plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, que decorre na Horta.O
voto, apresentado pelo PSD, surgiu na sequência de um “crime hediondo
de violência doméstica”, noticiado em maio deste ano, em que um homem da ilha de
São Miguel “terá regado a mulher com gasolina” e “ateado fogo”.Sabrina Furtado frisou que “em tempo algum uma vítima nos Açores” pode ficar “desamparada”.“Cabe-nos,
como representantes eleitos pelo povo açoriano, fazer cumprir e dar
meios aos que querem ajudar, conferindo todas as ferramentas ao alcance
do poder político para minimizar estas tragédias, que se passam tanto
num local distante como na casa ao nosso lado”, apontou.O voto mereceu a concordância de todas as bancadas parlamentares e foi aprovado por unanimidade.O
deputado Pedro Neves, do PAN, defendeu que é preciso “um esforço
enorme” para mudar o paradigma da violência doméstica nos Açores,
alertando para a necessidade de mais prevenção e proteção.Também
a socialista Célia Pereira considerou que há ainda “muito a fazer no
campo da prevenção e da intervenção com as vítimas e com os agressores”,
mas disse que as ações realizadas nos últimos anos “estão a dar
resultados”.Por
sua vez, Alexandra Manes, do BE, realçou a necessidade de intervenção
junto dos jovens, alegando que a violência no namoro “começa a ser
normalizada”, e alertou para o crescimento da “violência contra os
idosos”.O
deputado centrista Rui Martins disse que há ainda um “tabu” sobre este
tipo de violência, que leva as vítimas a terem “pudor de agir”, e
reforçou a necessidade de a sociedade estar “alerta” para ultrapassar os
indicadores dos Açores.Paulo
Estêvão, do PPM, defendeu que “é necessário desenvolver ações no âmbito
da sensibilização” junto das escolas e das comunidades e dar “os meios
necessários” às entidades para que possam proteger as vítimas.Também
Carlos Furtado, do Chega, considerou “da maior urgência” a
sensibilização da sociedade para o problema da violência doméstica,
alegando que muitas vezes este “grande mal” é “alimentado pela
impunidade”.