Parlamento açoriano reprova projeto para alterar regime de fixação de preços
17 de fev. de 2023, 06:01
— Lusa/AO Online
A iniciativa, apreciada no
plenário do parlamento açoriano, na Horta, teve 25 votos contra do PS,
dois do BE, um da IL, um do PAN e um do deputado independente, 21 a
favor do PSD, dois do CDS-PP, dois do PPM e um do Chega.A
resolução do Chega pedia a auscultação obrigatória das associações de
consumidores e de comerciantes para alterar o regime de fixação de
preços e promover, junto dos retalhistas, a “identificação dos produtos
sujeitos ao regime de margens fixas”.O
projeto recomendava ao Governo Regional a extensão a todas as ilhas do
relatório de acompanhamento e monitorização de preços de um cabaz
alimentar, medida anunciada a 13 de janeiro pelo executivo açoriano.Na
apresentação, o deputado do Chega, José Pacheco, criticou as “margens
especulativas absurdas” aplicadas com a “desculpa da guerra” na Ucrânia,
apelando à intervenção do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).O
secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte
Freitas, reconheceu a necessidade de “defender os consumidores
açorianos” e adiantou que o primeiro relatório de monitorização de
preços vai ser divulgado na “próxima semana”.“Podemos,
desde já, dar nota de que os dados preliminares sinalizam, na segunda
semana de janeiro, uma pequena descida dos preços na média regional.
Isso não é suficiente só por si. Temos de ir analisando futuramente.
Todos os meses esse trabalho será feito”, adiantou Duarte Freitas.A
deputada do PSD Vitória Pereira considerou que o relatório é
“fundamental” para “identificar eventuais abusos”, tal como Rui Martins,
do CDS-PP, que alertou para situações em que existe um “aumento dos
preços quando a inflação estagna”.O
deputado do BE, António Lima, afirmou que o diploma do Chega não
apresenta "nenhuma medida para permitir qualquer tipo de fixação de
margens de lucro”, realçando que iniciativa também não especifica quais
as alterações pretendidas à portaria de regulação dos preços.O
socialista Rui Anjos defendeu a necessidade de definir quais os bens de
primeira necessidade e alertou que o cabaz monitorizado pelo Governo
Regional não inclui “bens essenciais como peixes, legumes e frutas”.Também
Pedro Neves, do PAN, acusou o governo açoriano de “não querer ajudar os
consumidores” devido aos produtos selecionados para a monitorização.O
deputado liberal Nuno Barata alertou que, ao “impor preços controlados,
corre-se o risco de um dia não haver produtos no supermercado”,
enquanto Paulo Estêvão, do PPM, considerou que o “regulador tem de
parecer” nas circunstâncias atuais.O
parlamentar independente Carlos Furtado disse que a proposta do Chega
“não tem utilidade prática” e apelou ao Governo Regional para reduzir o
Imposto Sobre Produtos Petrolíferos.