Parlamento açoriano reprova medidas para alterar Subsídio Social de Mobilidade
15 de fev. de 2023, 05:55
— Lusa/AO Online
O projeto de
resolução do Chega, que “recomendava ao Governo Regional a intervenção
na República para o fim da burocracia no Subsídio Social de Mobilidade”,
foi chumbado com os votos contra de PS, PPM, PAN e deputado
independente e as abstenções de PSD, CDS-PP, BE e IL.A
anteproposta do BE terminou rejeitada após dois empates na votação, com
os votos a favor de BE e Chega, contra do PPM e do PAN e abstenções de
PS, PSD, CDS-PP, IL e deputado independente.A
anteproposta de lei do deputado independente Carlos Furtado foi
reprovada com os votos favoráveis do proponente, contra de BE, PAN, PPM e
Chega e abstenções de PS, PSD, CDS-PP e IL.Na
apresentação do diploma, o deputado do BE António Lima alertou para a
necessidade de “melhorar o sistema atual”, uma vez que o modelo em vigor
obriga os passageiros a adiantar o valor da viagem, salientando de que
“não se trata de impor novas obrigações de serviço público”.Por
outro lado, o deputado independente Carlos Furtado explicou que a sua
iniciativa pretendia que o Governo Regional assumisse temporariamente o
valor exigido aos passageiros, considerando “lamentável os valores
diferentes” do subsídio de mobilidade nas regiões autónomas, já que
reembolsa até 134 euros os residentes dos Açores e até 86 euros os da
Madeira.O parlamentar do Chega, José
Pacheco, também considerou que o “atual modelo só serve quem tem
dinheiro” e que é um “sistema muito mais favorável para as operadoras”,
exortando o PS a “pressionar o Governo da República”.O
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), pela secretária do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, reconheceu que o “sistema
atual cria constrangimentos às famílias e exige um esforço financeiro”,
uma situação que tem de ser “resolvida”.Contudo,
Berta Cabral pediu “cuidado” para “não se colocar em causa” os
benefícios do atual modelo, defendendo que “em situação alguma se deve
admitir a transferência de responsabilidades do Governo da República
para o regional”.“É óbvio que o sistema
criado é complexo e burocrático. É incómodo ir para as filas do CTT
pedir reembolso, mas, apesar de tudo isso, funcionou até agora. Tudo o
que fizermos tem de ser para simplificar”, declarou a governante,
defendendo a necessidade de “reativar o grupo de trabalho” criado para
rever alterações ao subsídio.O deputado da
IL, Nuno Barata, concordou que o caminho é aguardar pelos resultados do
grupo de trabalho, tal como Rui Martins, do CDS-PP, que afirmou que não
se deve envolver o Governo Regional numa responsabilidade da República.Pelo
PS, Carlos Silva destacou que os parlamentares do partido na Assembleia
da República estão a trabalhar na simplificação do apoio, enquanto o
social-democrata António Vasco Viveiros considerou que o “recurso a
antepropostas de lei não é o melhor caminho, porque desresponsabiliza o
Governo da República”.No debate, o
deputado do PAN, Pedro Neves, realçou ainda estar em causa o “direito
dos açorianos à mobilidade” e o deputado do PPM Paulo Estêvão evocou o
“défice muito grande do poder central em relação aos Açores”.