Parlamento açoriano recomenda criação de Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática
Hoje 10:43
— Lusa/AO Online
A
iniciativa, subscrita por todos os partidos com assento parlamentar
(PSD, PS, Chega, CDS-PP, PPM, BE, IL e PAN) foi aprovada por unanimidade
no segundo dia do plenário de junho, na cidade da Horta, na ilha do
Faial.A deputada do PSD Nídia Inácio
referiu na apresentação, que o projeto de resolução é "um ato de justiça
para com a história dos Açores, para com a memória marítima de Portugal
e para com todos aqueles que, ao longo de décadas, têm defendido e
estudado e valorizado" o património natural subaquático.A
Região Autónoma dos Açores "encontra-se associada a um património
subaquático de excecional valor histórico e científico, inserido numa
rede patrimonial açoriana reconhecida pela sua dimensão europeia e
atlântica", lê-se no texto da iniciativa."Acresce
que os Açores dispõem dos únicos parques arqueológicos subaquáticos
existentes no país, localizados em Angra do Heroísmo, bem como do único
roteiro nacional de património cultural subaquático visitável,
estruturado ao longo da última década e identificado a nível europeu
como uma experiência de referência no cruzamento entre investigação,
preservação e fruição pública", acrescenta.Esta
realidade confere aos Açores "uma legitimidade material, científica e
simbólica ímpar para acolher um museu nacional vocacionado para a
arqueologia náutica e subaquática"."No
quadro das celebrações dos 600 anos da descoberta dos Açores,
assinaladas em 2027, a criação do Museu Nacional de Arqueologia Náutica e
Subaquática, com sede em Angra do Heroísmo, reveste-se de particular
oportunidade histórica e estratégica", é referido.O
futuro museu é considerado um "instrumento fundamental" para a proteção
e valorização do património cultural subaquático português, para o
reforço da coesão territorial, para a afirmação do papel dos Açores no
espaço atlântico e para a dinamização cultural, científica, educativa e
turística do país.Assim, a Assembleia
Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) recomenda ao Governo
da República que promova, em articulação com o Governo Regional e com as
autarquias locais, a criação do referido museu.Para
a ALRAA, importa que a República assegure o enquadramento institucional
do museu, "sem prejuízo das competências próprias da Região Autónoma
dos Açores em matéria de património cultural".Também
salienta que ao Governo da República "caberá garantir a previsão dos
meios financeiros, técnicos e humanos necessários à instalação e
funcionamento do museu, mobilizando, sempre que adequado, instrumentos
de financiamento nacional e europeu"."A
criação deste museu deverá ser considerada como projeto estruturante das
comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores, a celebrar em
2027", segundo o texto da iniciativa.A
criação de um Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática nos
Açores surgiu na sequência de uma petição com mais de 3.000 assinaturas,
que foi discutida na Assembleia Legislativa em maio.A
deputada Marta Matos (PS) considerou que os Açores "são absolutamente
centrais nesta matéria pela sua geografia, pela sua história, pelo seu
património" e por se afirmarem como "um dos principais centros mundiais
do património subaquático"."Cabe-nos a nós
como deputados regionais dar continuidade ao trabalho feito pelos
peticionários, em especial pelo doutor José Luís Neto. E esperemos que
os deputados nacionais também sintam a responsabilidade de dar
continuidade a um projeto que eu posso mesmo chamar de grandioso",
afirmou a parlamentar Hélia Cardoso (Chega).O
deputado do BE António Lima referiu que "existe um consenso alargado no
parlamento" e também na sociedade açoriana "quanto à possibilidade e à
necessidade da criação deste museu nacional na região" e, com "vontade
política, trabalho e visão ele é possível" de concretizar.Nuno Barata (IL) disse esperar que a proposta tenha "boa receção" na República e que o projeto seja concretizado em breve.Para
o deputado Pedro Pinto (CDS-PP), a materialização do museu significa
"valorizar todo o espólio subaquático que existe", sendo também
"fundamental para dar continuidade" à classificação da cidade de Angra
do Heroísmo como património da humanidade pela UNESCO.Por fim, Pedro Neves (PAN), disse que a região tem legitimidade para acolher o projeto, que era algo que o partido já defendia.