Parlamento açoriano quer que Assembleia da República atualize lista de drogas ilegais
19 de mai. de 2021, 10:16
— Lusa/AO Online
O diploma
sugere a atualização do regime jurídico aplicável ao tráfico e consumo
de estupefacientes (Decreto-lei n.º 15/93 de 22 de janeiro), de acordo
com os relatórios anuais sobre as novas substâncias psicoativas
identificadas pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.Apresentado
pelos partidos que formam Governo, PSD, CDS-PP e PPM, o documento foi aprovado com 55 votos favoráveis, de todos os partidos exceto o BE,
que se absteve, e segue agora para a Assembleia da República, onde
deverá, por recomendação do parlamento açoriano, ser debatido com
caráter de urgência.Durante a discussão do
diploma no plenário do parlamento açoriano, o secretário regional da
Saúde e do Desporto, Clélio Meneses, defendeu que “a criminalização é a
forma de ir atrás do problema”, salientando que, por isso, é necessário
que “se vá à frente, evitando-o” e que tal só se consegue com “medidas
eficazes de prevenção”.Na sua intervenção,
Clélio Meneses anunciou ainda “o aumento em 13% da comparticipação da
região” às instituições que trabalham no combate à toxicodependência e
adiantou que o executivo já está a preparar um “plano multissetorial,
multifatorial, envolvendo um conjunto de entidades de ação direta,
intensa e eficaz”.Carlos Ferreira, o
deputado social-democrata que apresentou a medida, disse ter “noção de
que esta iniciativa, por si só, não resolve o problema”, mas considerou
tratar-se de “um passo importante na abordagem ao fenómeno das
dependências e, em concreto, das novas substâncias psicoativas” na
região.O líder parlamentar do PPM, Paulo
Estêvão, acrescentou que o enunciado “introduz a necessária
flexibilidade”, porque permite ao país “atualizar constantemente estes
dados e colocá-los na legislação e, depois, implementar na política
prática”.Já a líder parlamentar centrista,
Catarina Cabeceiras, realçou a “pertinência desta iniciativa”,
recordando que todos os intervenientes ouvidos em sede de comissão
“reconheceram que era importante haver esta atualização das substâncias
psicoativas”.A deputada socialista Célia
Pereira aproveitou também a discussão para lembrar que Portugal foi um
“país inovador” na abordagem à matéria.“Passar
a tratar o toxicodependente como um doente e não como um criminoso nem
sempre é evidente ou unânime”, referiu, destacando que o modelo
português se baseia “nos princípios do humanismo e que o Partido
Socialista dos Açores desde sempre defende, nomeadamente, não deixar
ninguém para trás”.Da parte do BE, a
iniciativa mereceu abstenção, porque “a inclusão de novas substâncias
psicoativas nas tabelas da legislação portuguesa é algo feito
regularmente, com base nas recomendações de organizações
internacionais”, referiu Alexandra Manes.A
deputada bloquista afirmou ainda que a “atualização destas tabelas
andam sempre um passo atrás da criatividade dos traficantes”, defendendo
que o “caminho para combater o aumento do tráfico e do consumo destas
substâncias psicoativas sintéticas deve passar pela legalização e
regulamentação de substâncias que não representam perigo para a saúde,
por exemplo a canábis”.A questão foi,
depois, retomado pelo deputado da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, que
questionou “porque é que não se há de olhar para as sociedades mais
liberais, onde esse processo foi encarado de outra forma e fazê-lo
também aqui com coragem”.O deputado do PAN
também votou favoravelmente a medida, mas interrogou sobre quem “vai
ser mais rápido”: “lei ou o produtor dessas drogas ilícitas e
psicotrópicas”, disse.Pedro Neves levantou
ainda o tema das “drogas lícitas e legais, que também criam
dependências”, como os “antidepressivos e ansiolíticos” que considerou
“um grave problema" da sociedade.Para José
Pacheco, do Chega, “não há drogas leves, não há drogas pesadas, não
drogas legais, nem drogas ilegais, há drogas”, lamentando que se
continue, “30 anos depois, a falar das consequências”. “Temos
de começar a falar, finalmente, […] da prevenção”, defendeu, reiterando
um ponto tocado por todos os grupos e representações parlamentares.