Parlamento açoriano quer Governo Regional a intervir pela revisão de salários na base das Lajes
16 de abr. de 2025, 10:10
— Lusa/AO Online
O projeto de resolução, apresentado pela Iniciativa Liberal, foi aprovado, por unanimidade, no parlamento açoriano, em março.Em
causa está o facto de existirem trabalhadores portugueses ao serviço
das Feusaçores (forças norte-americanas destacadas na base das Lajes),
na ilha Terceira, com salário base abaixo do salário mínimo nos Açores,
que tem um acréscimo de 5% ao salário mínimo nacional.Desde
2021 que o Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação,
Comércio e Escritórios, Hotelaria, Turismo e Transportes dos Açores
(SITACEHTT) alerta para esta situação.Foi,
entretanto, criado um suplemento para assegurar que os trabalhadores
não recebiam menos do que o salário mínimo, mas, segundo o sindicato,
esse suplemento absorve as diuturnidades de funcionários com 10 a 15
anos de serviço.A resolução da Assembleia
Legislativa dos Açores recomenda ao executivo açoriano que, “no quadro
da magistratura de influência e do relacionamento institucional com o
Ministério dos Negócios Estrangeiros, dê início à correção e atualização
das tabelas salariais dos trabalhadores portugueses" na base das Lajes,
no âmbito do Regulamento do Trabalho e do Acordo Laboral previstos no
Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da
América.Recomenda ainda que, na próxima
reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados
Unidos, o Governo Regional “possa ter uma proposta concreta de
atualização da tabela salarial a apresentar à delegação americana, tendo
em vista a sua análise e debate”.A
recomendação propõe que “fique absoluta e definitivamente consagrado que
no primeiro grau do escalão zero de todas as tabelas salariais o
vencimento base previsto seja correspondente ao pagamento da retribuição
mínima mensal garantida (RMMG) em vigor na Região Autónoma dos Açores”,
sendo “somados os demais suplementos e subsídios remuneratórios
previstos pela legislação laboral”.Até que
se concretize a revisão das tabelas salariais, a resolução recomenda
que “o Governo Regional imponha a sua capacidade reivindicativa no
âmbito da delegação que representa Portugal na Comissão Bilateral”, para
“evitar que aos trabalhadores portugueses ao serviço dos militares
norte-americanos continuem a ser sonegadas remunerações que lhes são
devidas”.Segundo a resolução, o mecanismo
transitório encontrado em 2023, de pagamento de um suplemento para
igualar o vencimento ao salário mínimo, deve ter por base “apenas o
valor base do vencimento e a diferença deste para o valor da RMMG em
vigor na região, não contabilizando para tal cálculo as diuturnidades e
outros subsídios que lhes sejam legalmente devidos”.Segundo
o SITACEHTT/Açores, existem atualmente nove trabalhadores com
vencimentos base abaixo do salário mínimo regional, na base das Lajes,
mas o número pode aumentar com o aumento do salário mínimo nacional.Em
janeiro, o deputado do PSD eleito pelos Açores Francisco Pimentel
questionou o ministro da Defesa Nacional, numa pergunta, por escrito, na
Assembleia da República, sobre esta situação.“Está
o Ministério da Defesa ao corrente desta situação e disponível para
diligenciar no sentido de avançar com a revisão imediata da estrutura
salarial destes trabalhadores, sem dependência de recurso a complementos
que se fundem e confundem com diuturnidades?”, questionou.Na
resposta, o Governo disse que as remunerações dos trabalhadores
portugueses na base das Lajes dependiam do Acordo de Cooperação e Defesa
entre Portugal e os Estados Unidos, “não tendo qualquer mecanismo de
atualização automática ou indexação perante as alterações remuneratórias
nacionais”, e que não existia “disponibilidade da parte dos EUA para
avançar com a mesma, atenta a complexidade desta revisão”.