Parlamento açoriano protesta pelo fim da tarifa de residente nos voos com continente
Hoje 17:19
— Lusa/AO Online
O voto foi aprovado no
plenário da Assembleia Regional, na Horta, com votos a favor de PSD, PS,
CDS-PP, PPM, BE e IL e abstenção do Chega.Na
apresentação do protesto, o deputado do BE, António Lima, lembrou que
as OSP “obrigavam qualquer companhia aérea que operasse” nas rotas entre
Faial, Pico e Santa Maria com Lisboa a “disponibilizar uma tarifa de
residente, com o preço máximo de 134 por cada viagem” e de 268 euros ida
e volta.“Com a entrada em vigor do novo
contrato de OSP para estas rotas, a partir do próximo dia 01 de maio,
deixa de existir a tarifa de residente, ou seja, na prática, deixa de
haver um limite máximo para o preço do bilhete”, condenou o bloquista.O
Bloco considerou a medida como “mais um ataque” do Governo da República
à mobilidade dos açorianos” e acusou o executivo regional
(PSD/CDS-PP/PPM) de “esconder” o fim da tarifa de residente para
“proteger” o executivo de Luís Montenegro.“O
Estado vai agora pagar às companhias para operar nas rotas que antes
eram feitas sem qualquer compensação financeira e, ao mesmo tempo, vai
abdicar do mecanismo que colocava um limite ao preço pago pelos
residentes nos Açores. O Estado vai pagar muito mais por um serviço que
vai ficar muito pior para os residentes”, criticou.Na
discussão, o socialista Lúcio Rodrigues alertou que a “mobilidade não é
um luxo, mas um direito fundamental” e salientou que o novo modelo é
“mais caro e menos justo”.Já o PSD, pelo
deputado Hugo Parente, prometeu que o partido vai “defender com
coerência o interesse dos açorianos” e insistiu que os residentes
deveriam pagar apenas o preço estabelecido no subsídio de mobilidade
(sem necessidade de reembolsos), tal como o CDS-PP, que considerou que o
Estado “deveria assegurar depois com as companhias áreas” o valor
remanescente.O deputado José Pacheco, do
Chega, apelou à união dos partidos para assegurar o direito à mobilidade
dos residentes, enquanto Nuno Barata (IL) realçou a importância de
“acabar com a discriminação entre açorianos”.Em
causa está a eliminação de um teto máximo no preço das ligações aéreas
nas rotas sujeitas a obrigações de serviço público (Lisboa/Horta,
Lisboa/Pico, Lisboa/Santa Maria), que são financiadas pelo Estado.Atualmente,
os passageiros residentes nos Açores pagam no máximo 119 euros nas
viagens para o continente, embora as tarifas aéreas sejam, muitas vezes,
de valor superior, o que os obriga a pedir depois o reembolso, se o
valor pago pelas passagens for superior a esses 119 euros.No
caso das ilhas do Faial, Pico e Santa Maria, sujeitas a obrigações de
serviço público, existia, no entanto, um teto máximo de 268 euros (134
euros na ida, 134 euros na volta) no valor que as companhias aéreas
podiam cobrar por bilhete, que com a entrada em vigor das novas OSP
deixa de existir.