Parlamento açoriano cria comissão de inquérito sobre incêndio no hospital de Ponta Delgada
5 de fev. de 2025, 14:30
— Lusa/AO Online
Os
socialistas até
foram os primeiros a anunciar a intenção de criar uma comissão de
inquérito para avaliar as medidas tomadas pelo governo de coligação
na gestão da catástrofe, mas os sociais-democratas
foram os primeiros a entregar uma proposta no parlamento, com caráter
potestativo, publicada esta quarta-feira em Jornal Oficial.“Os
danos causados na infraestrutura do HDES e as restrições à sua
operacionalidade, impõem o apuramento das causas que conduziram à
ocorrência do incêndio de 4 de maio de 2024”, justifica a bancada do
PSD, no requerimento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, a 31 de janeiro.Os sociais-democratas
pretendem que a comissão, que deve apresentar um relatório final no
prazo de 120 dias (a contar da tomada de posse dos seus membros), apure
as causas do incêndio e avalie os atos praticados pelo Conselho de
Administração do HDES e pelo Governo Regional, “aquando da ocorrência, e
na sequência dela”.A bancada do PS na
Assembleia Legislativa dos Açores, que também entregou a sua proposta a
31 de janeiro (mas após a do PSD), pretendia avaliar também as decisões
tomadas pelo executivo de direita e pela administração hospitalar, e
ainda perceber se a opção pela construção de um hospital modular foi ou
não a mais correta.“Persistem dúvidas
quanto ao processo de decisão e adjudicação de infraestruturas
provisórias e de equipamentos, nomeadamente no que diz respeito aos
critérios utilizados, à transparência dos procedimentos e à sua
sustentabilidade financeira”, alegam os socialistas.Os
dois requerimentos (apenas o do PSD foi admitido) surgiram na sequência
das polémicas declarações do ex-administrador do HDES, António Vasco
Viveiros, que numa audição parlamentar, na passada semana, em Ponta
Delgada, colocou em causa a opção do executivo por um hospital modular,
que custou cerca de 30 milhões de euros, defendendo que o executivo
deveria ter optado pela reabertura do edifício.A
proposta socialista não terá sido, no entanto, admitida ainda pelos
serviços da Assembleia Regional, por existirem dúvidas sobre a sua
admissibilidade, uma vez que o regime jurídico das comissões
parlamentares de inquérito, não permite que sejam criadas duas comissões
sobre o mesmo assunto.Os socialistas
alegam que o objeto da sua comissão é diferente da dos
sociais-democratas, e que é mais abrangente, defendendo não apenas uma
investigação às causas e consequências do incêndio de 4 de maio, mas
também uma análise à resposta da administração do HDES e do Governo
Regional a esta tragédia, bem como os impactos das decisões políticas na
acessibilidade dos açorianos aos cuidados de saúde.A
grande diferença, entre as duas propostas, é que o requerimento do PSD
quer também incluir na investigação as medidas tomadas pelos anteriores
governos socialistas, desde 2014, que possam ter contribuído para
esta catástrofe.