Parlamento açoriano chumba regime de integração de trabalhadores no setor público
19 de mai. de 2021, 10:13
— Lusa/AO Online
O diploma teve os votos contra de PSD, CDS-PP, PPM, Chega e Iniciativa Liberal e a favor de PS, BE e PAN.Na
apresentação da proposta, o deputado do PS Tiago Branco destacou que a
iniciativa pretendia que os “trabalhadores do setor público empresarial,
independentemente da natureza do vínculo laboral” tivessem “assegurada a
integração na administração pública”, desde que estivessem a
cumprir "necessidades permanentes”.O
socialista acusou ainda o Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM,
de “arrogância” por não ter acautelado os direitos dos trabalhadores
aquando do anúncio da extinção das empresas SDEA, Azorina e Sinaga.O
secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Bastos e Silva, contrapôs que “nunca estiveram em causa despedimentos”
naquelas empresas, mas antes a “racionalização dos serviços”.“Tal
como é do conhecimento geral, a opção do governo é de integração desses
trabalhadores na esfera da administração pública regional, através de
acordos de cedência de interesse público, numa primeira fase, até à
celebração de contratos de trabalho”, assinalou.Do
lado do PSD, Sabrina Furtado acusou o PS de fazer “propaganda” através
da “centralidade do parlamento”, considerando que os socialistas
pretendem que o “Governo dos Açores faça exatamente aquilo que já está a
fazer”.O deputado do CDS-PP Pedro Pinto
acrescentou que a atual coligação do governo açoriano tem “sentido de
justiça” com os trabalhadores, criticando a iniciativa socialista por
retirar “capacidade de intervenção” ao executivo açoriano para avaliar a
situação de cada empresa.O líder do
PPM/Açores, Paulo Estêvão, realçou ainda que a iniciativa demonstra o
“reconhecimento do PS” que os governos socialistas da região deixaram
“muitos trabalhadores na precariedade”.Pelo
BE, o líder parlamentar, António Lima, disse que a proposta trazia um
“quadro de previsibilidade” aos trabalhadores, realçando que não podem
ser os funcionários a “pagar eventuais erros” cometidos pelas empresas.O
deputado único do PAN/Açores, Pedro Neves afirmou que não deveria ser
um “problema” votar favoravelmente um projeto se tal já corresponde ao
que o Governo Regional está a fazer.O
deputado do Chega, Carlos Furtado realçou, por outro lado, que as
empresas públicas devem “apenas integrar os trabalhadores necessários ao
funcionamento” das mesmas, criticando a proposta por “condicionar a
atividade” do executivo.Nuno Barata, da
Iniciativa Liberal, acusou o PS de ter mantido vários trabalhadores na
“precariedade” quando estava no governo, referindo que os socialistas
“criaram um problema" que "querem resolver de um dia para o outro”.Em
março de 2021, foi anunciado que a SDEA, a empresa de gestão ambiental
Azorina e a açucareira Sinaga iriam ser extintas até ao final do
primeiro semestre.O Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, é suportado no parlamento pelos partidos de governo e pela IL e Chega.