Parlamento açoriano aprova projeto de resolução sobre financiamento do transporte aéreo interilhas
Hoje 17:50
— Lusa/AO Online
O
projeto de resolução apresentado pelo parlamentar do Chega Francisco
Lima no primeiro dia do plenário de junho, na Horta, foi aprovado por
unanimidade.A iniciativa recomenda ao
Governo Regional dos Açores que desenvolva, junto do
Governo da República, “as diligências necessárias à criação de um modelo
de financiamento estruturado das obrigações de serviço público [OSP] do
transporte aéreo regular interilhas”.Segundo
Francisco Lima, a proposta pretende “defender a autonomia”, apontando
que seja negociado com a República um “novo acordo justo e equilibrado”
das OSP.“A continuidade territorial
portuguesa não pode excluir ilhas nem discriminar portugueses”, por isso
a proposta é “necessária e urgente”, justificouNo
debate que se seguiu, Joaquim Machado (PSD) referiu que nos Açores “a
mobilidade não é um luxo” e o transporte aéreo interilhas é “condição
essencial da coesão territorial, assumindo funções equivalentes às redes
rodoviárias ou ferroviárias existentes em qualquer espaço continental”.Por
isso, acrescentou, estando a terminar o atual contrato de OSP, é
“oportuno questionar o modelo, sobretudo quanto ao seu financiamento”,
sendo que para 2027-2031 devem ser enquadradas por um novo modelo de
financiamento que garanta a sua sustentabilidade.“Enquanto
as ligações entre o continente e as regiões autónomas são assumidas
pelo Estado, as ligações interilhas […] continuam a ser suportadas
maioritariamente pela própria região”, que assume anualmente cerca de 50
milhões de euros, indicou.Para António
Lima (BE), a República “tem pecado” pela omissão da sua responsabilidade
nas OSP interilhas, não fazendo sentido “demitir-se de atualizar esse
contributo” a partir de uma determinada altura.“Aquilo
que estamos aqui a discutir hoje […] já podia estar muito melhor”,
apontou, lembrando duas propostas anteriores que foram rejeitadas por
PSD e CDS-PP, com abstenções de PS e IL.Já
Nuno Barata (IL) considerou tratar-se de um debate “extemporâneo”, pois
“deveria ter sido feito em novembro do ano passado ou em dezembro, após
a aprovação do orçamento” da região.Pelo
PS, o deputado Luís Leal afirmou que o partido sempre contribuiu para
que o modelo das OSP para transporte aéreo fosse desenvolvido, por não
se coadunar com a realidade.O deputado
socialista apontou que em 2026 estimam-se que sejam 90 milhões de euros
destinados a matérias de OSP, lamentando a “incapacidade
político-partidária” do executivo regional em fazer com que o Governo da
República melhore a vida dos açorianos no que diz respeito à
continuidade territorial.O líder
parlamentar do CDS-PP, Pedro Pinto, observou que o tema das OSP é “uma
questão que o parlamento analisa e debate de forma recorrente”, sendo
dever de todos exigir da República o cumprimento do preceito
constitucional da continuidade territorial.O
valor da República para as OSP é “manifestamente insuficiente”, disse,
reclamando uma atualização do esforço financeiro “para que se cumpra
esse preceito constitucional”.Já o
deputado João Mendonça (PPM) referiu que a continuidade territorial
“custa hoje mais de 103 milhões de euros por ano”, dos quais oito
milhões são assegurados por fundos europeus e apenas 10 milhões pelo
Estado Português.“Os restantes 84,8
milhões são pagos pelos Açores. Estamos a falar de garantir que nove
ilhas permanecem ligadas entre si e ao país. E, para tudo isto, a
República contribui com apenas 10 milhões de euros por ano”, salientou,
lembrando que a comparticipação do Estado “continua inalterada desde
2019”, apesar de a República conhecer o problema há anos e continuar
“sem o resolver”.Pelo Governo Regional, o
secretário das Finanças, Duarte Freitas, referiu que o executivo tem
defendido, na Comissão Europeia, a criação do POSEI transportes e a
expectativa é que “a nova comissária possa aceder a esta pretensão”.A
verba destinada pelo Orçamento do Estado para a continuidade
territorial interilhas é “muito longe daquilo que é justo, justificável e
devido”, disse, acrescentando que a questão terá de ser colocada em
sede de revisão da Lei das Finanças Regionais ou na discussão do
Orçamento do Estado.