Parlamento açoriano aprova auditoria do TdC à construção do hospital modular
6 de jun. de 2025, 10:12
— Lusa/AO Online
O
projeto de resolução do Chega foi aprovado por unanimidade durante o
plenário da Assembleia Regional, na Horta, e pretende uma auditoria aos
“contratos e despesas relacionados com a conceção, construção,
apetrechamento e funcionamento do hospital modular”.Na
apresentação do diploma, a deputada do Chega Olivéria Santos afirmou
que a construção do hospital modular está envolto num “processo pouco
claro que levanta muitas dúvidas quanto à legalidade” e avisou que “quem
não deve, não teme”.“Não foram realizadas
consultas ao mercado quer para adjudicação do edifício, quer para
aquisição dos equipamentos”, afirmou, exigindo um “esclarecimento
cabal”.O líder do Chega/Açores, José Pacheco, classificou o modular como uma “porcaria do contentor que está a apodrecer”.No
debate, o socialista Carlos Silva também levantou dúvidas sobre a
infraestrutura, denunciando derrapagens no tempo de construção e no
preço final, que, segundo disse, ronda os 40 milhões de euros (incluindo
equipamentos).Délia Melo (PSD) retorquiu
ao lembrar que os equipamentos vão estar ao serviço do Hospital de Ponta
Delgada, considerando que o modular foi a “opção mais célere e segura
para utentes e profissionais de saúde”.Na
mesma linha, o secretário dos Assuntos Parlamentares do Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) defendeu a opção pelo hospital modular: “tudo foi
feito com seriedade na defesa do interesse dos açorianos”, atirou Paulo
Estêvão.O deputado do PAN, Pedro Neves,
disse concordar com a auditoria, mas lamentou o “show-off” do Chega ao
apresentar a medida num momento em que a comissão de inquérito à
recuperação do hospital de Ponta Delgada ainda está a decorrer.Também
o liberal Nuno Barata realçou que o processo do hospital modular
“levanta dúvidas a todos”, enquanto António Lima (BE) acusou o executivo
de “enganar” os açorianos devido aos cuidados de saúde prestados
naquela unidade que “estão a anos-luz do que deveriam ser”.O
incêndio que deflagrou a 4 de maio de 2024 no Hospital Divino
Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, obrigou à deslocalização dos
doentes para outras unidades de saúde nos Açores, na Madeira e no
continente, tendo o Governo Regional decidido instalar um hospital
modular para assegurar os cuidados de saúde até à requalificação do
único hospital público da maior ilha açoriana.Na
Assembleia Regional está a decorrer uma comissão de inquérito sobre a
recuperação do HDES, após críticas à construção do hospital modular em
detrimento de reabertura do serviço de urgência.