Paris e Berlim reforçam defesa aérea de Kiev após ataques russos maciços
Ucrânia
29 de ago. de 2025, 16:22
— Lusa/AO Online
"Apesar dos intensos esforços
diplomáticos, a Rússia não demonstra intenção de interromper a sua
guerra de agressão contra a Ucrânia", sublinharam Paris e Berlim, na
nota conjunta, após o encontro entre o Presidente francês, Emmanuel
Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Toulon, no sul de
França.Um ataque russo à capital
ucraniana, na madrugada de quinta-feira, causou pelo menos 23 mortos e
várias dezenas de feridos, além de atingir cerca de uma centena de
edifícios, entre os quais o da delegação da União Europeia em Kiev.Após
a reunião de hoje, o chefe de Estado francês garantiu que França e
Alemanha continuarão a "pressionar" para que sanções adicionais sejam
impostas à Rússia para forçar Moscovo a negociar o fim da guerra na
Ucrânia."Continuaremos a exercer pressão
para que sanções adicionais sejam tomadas por nós mesmos, e estamos
prontos para fazê-lo, mas também pelos Estados Unidos da América (EUA)
para forçar a Rússia a voltar à mesa" das negociações sobre a guerra na
Ucrânia, disse Macron, numa conferência de imprensa ao lado do chanceler
alemão."Neste momento, os Estados Unidos
estão a discutir intensamente outras tarifas alfandegárias. Eu seria
muito favorável a que o Governo norte-americano tomasse essa decisão e
também a aplicasse a outros países cujo gás e petróleo financiam grande
parte da economia de guerra russa", defendeu, por sua vez, o líder
alemão. Segundo o chefe de Estado francês,
os "próximos dias serão decisivos" para Moscovo mostrar sinais da sua
disposição para acabar com o conflito, como pretende o Presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump.Macron
lembrou que, em meados deste mês, na sequência da cimeira bilateral no
Alasca, o Presidente russo, Vladimir Putin, "se comprometeu com o
Presidente Trump" a encontrar-se com o homólogo ucraniano, Volodymyr
Zelensky.Se esta reunião bilateral não
ocorrer até segunda-feira, "mais uma vez, isso significará que o
Presidente Putin enganou o Presidente Trump" e "isso não pode ficar sem
resposta", comentou Macron.Vladimir Putin
"claramente não tem intenção (...) de se encontrar com o Presidente
Zelensky", acrescentou o chanceler alemão, que considerou que o líder
russo está a "impor pré-condições que são simplesmente inaceitáveis"."Não
tenho ilusões. É possível que esta guerra dure muitos meses", lamentou
Merz, deixando um aviso: "De qualquer forma, devemos preparar-nos para
isso. Estamos prontos".Os dois líderes indicaram que falarão separadamente com o Presidente dos EUA "neste fim de semana".Na
próxima semana, Macron e Merz realizam uma nova reunião com os
homólogos da chamada Coligação dos Dispostos, que reúne 30 países,
incluindo Portugal, dispostos a fornecer garantias de segurança a Kiev
para impedir uma nova agressão russa após o fim do atual conflito, em
curso desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.