Paralímpicos de Los Angeles2028 terão o melhor nível de sempre, prevê ‘vice’ do CPI (C/ÁUDIO)
Hoje 17:42
— Lusa/AO Online
Durante o Fórum Europeu da ASPC - Association of Sport Performance Centres (Associação de Centros de Alto Rendimento), que decorre naquele concelho do distrito de Santarém, Leila Marques, antiga nadadora paralímpica portuguesa que integra a direção do CPI, anteviu que, em 2028, o nível dos atletas paralímpicos atingirá o ponto mais alto de sempre. “Aproxima-se Los Angeles2028 a uma velocidade furiosa e aí teremos 4.480 atletas de aproximadamente 156 países em 23 modalidades. Considerando o investimento que está a ser feito, quer em infraestruturas, quer em programas, consideramos que serão, certamente, os melhores jogos em termos de desempenho desportivo dos nossos atletas”, salientou.Para a vice-presidente do CPI, que tem igual cargo no Comité Paralímpico Português (CPP), “a evolução do desporto paralímpico e da performance dos atletas tem crescido a olhos vistos”. E lembrou os Paralímpicos de Paris2024, onde “foram batidos 175 recordes do mundo e 218 recordes paralímpicos”, porque “a competição é cada vez mais equilibrada”. “Por exemplo, no atletismo, 32 medalhas foram decididas por menos de um décimo de segundo ou 10 centímetros”, apontou, sublinhando ainda que “na grande maioria dos eventos”, as marcas que valeram ouro em Atenas2004 ou Pequim2008 “não chegariam sequer a uma final dos Jogos de Paris”.Leila Marques acrescentou que "o desporto paralímpico é hoje, sem dúvida, tão competitivo como o desporto olímpico", atribuindo a evolução aos investimentos feitos “nos centros de alto rendimento e programas de preparação de atletas com deficiência”. De resto, especificou os casos da China e do Brasil, onde o investimento feito foi recompensado com um crescimento notório no número de medalhas obtidas: “É uma lição clara de que, quando há investimento sustentado em infraestruturas e em programas de alto rendimento, os resultados sem dúvida que aparecem”.Mas a 'vice' do CPI e do CPP advertiu que os investimentos não podem visar “apenas aqueles atletas que mais facilmente" se consegue trabalhar.“Há uma grande preocupação por parte do CPI de continuar a criar condições para atletas com grandes dificuldades, com maior incapacidade, para que tenham oportunidade de treinar, competir e, sobretudo, possam ter a tradução do benefício do desporto enquanto ferramenta fundamental para a melhoria das nossas sociedades”, referiu.A necessidade de envolver cada vez mais pessoas com deficiência no desporto foi também destacada em Rio Maior pela diretora de Projetos Especiais do Comité Paralímpico do Brasil, Mariana Vieira de Mello.Citando dados das Nações Unidas, a dirigente brasileira disse que 16% da população mundial “tem algum tipo de deficiência”, o que equivale “a 1.3 mil milhões de pessoas”.“Se as nossas organizações desportivas não estiverem preparadas, deixamos para trás uma parte considerável da humanidade. A deficiência não é marginal nem uma exceção, faz parte da diversidade humana, são indivíduos com características, experiências, ambições e necessidades diferentes”, lembrou.Por isso, é preciso investir no desporto adaptado, porque “tem uma capacidade única de capacitar, quebrar barreiras e integrar pessoas com deficiência na sociedade"."O impacto vai muito para além do desporto”, vincou Mariana Vieira de Mello.A nível do alto rendimento, Portugal está, como a Europa, “no percurso certo”, avançou Leila Marques.“Encontramos já soluções e reconhecimento para os nossos atletas paralímpicos. Em Portugal, houve um grande investimento no desporto, que contempla, para além das infraestruturas, como os Centros de Alto Rendimento, a sua reabilitação e melhoria, os programas de preparação e de investigação, e tudo em ‘espelho’: cinco projetos para o lado olímpico e cinco para o lado paralímpico”, concluiu.