PAR prevê grande número de refugiados devido a ligações familiares em Portugal
Ucrânia
28 de fev. de 2022, 17:46
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, o coordenador da PAR, André Costa Jorge,
alertou para a importância do governo português clarificar que
procedimentos os cidadãos ucranianos devem seguir quando chegam à
Polónia, ou a outros países fronteiros, se tiverem familiares em
Portugal e quiserem vir para o país. “Para
evitar que essas pessoas venham de modo próprio, sem qualquer
enquadramento, não informem as autoridades na Polónia ou noutros países e
de repente nós temos vários tipos de refugiados, uns com benefícios
outros sem porque houve procedimentos que faltaram e não foram
cumpridos”, alertou.Reforçou que é
importante tanto Portugal como a União Europeia clarificarem
procedimentos para que as pessoas possam aceder a todo o tipo de
benefícios que venham a ser criados e ter “o mínimo de dignidade
assegurada”.Sublinhou que o governo
português deve preparar-se para um movimento de refugiados ucranianos
para Portugal superior ao de afegãos, tendo em conta que estes dois
universos têm dimensões completamente distintas.O
responsável lembrou que Portugal recebeu 500 refugiados afegãos, na
sequência da tomada de poder pelos talibãs em agosto de 2021, enquanto
em Portugal a comunidade de imigrantes ucranianos rondará as cem mil
pessoas.“É muito provável que estas
pessoas tenham familiares na Ucrânia, que estas cem mil pessoas tragam
outras cem mil e que nas próximas semanas só as pessoas com familiares
que queiram vir sejam um número muitíssimo superior ao número de pessoas
que acolhemos quer na reinstalação e recolocação da Grécia, quer no
Afeganistão”, sublinhou.Por outro lado,
adiantou que a PAR já está à “procura de espaços que permitam o
acolhimento” de refugiados ucranianos que não tenham familiares em
Portugal, defendendo que, também aqui, deveriam ser clarificadas as
condições de acolhimento.Em matéria de
acolhimento em Portugal, o responsável disse que estão a ser
consideradas duas hipóteses: quem vem por modo próprio e tem familiares
no país e quem venha ao abrigo de programas de recolocação da União
Europeia.Em relação à primeira hipótese, o
coordenador da PAR afirmou que a organização está a trabalhar com o
governo para perceber quais os procedimentos para que as pessoas possam
saber com o que contam da parte do Estado português.“Estamos
também a preparar aquilo que poderá acontecer, tendo em conta o
crescimento dos números, uma vez que a União Europeia [UE] poderá ter
que desenhar um programa de recolocação de pessoas refugiadas que
estejam nos países de fronteira [com a Ucrânia]”, apontou André Costa
Jorge, acrescentando que esse trabalho por parte da UE já deveria estar a
ser feito.Nesta matéria, disse esperar
que os países próximos da Ucrânia não fechem as fronteiras, como
aconteceu recentemente com outras pessoas refugiadas, de modo que os
refugiados ucranianos possam ser distribuídos por diferentes países
europeus.“O governo português deverá o
quanto antes informar os parceiros ou sociedade civil [sobre] como será o
programa de acolhimento, quanto tempo e como é que pode ser
operacionalizado, para nós sabermos como é que se monta um programa de
acolhimento das pessoas que eventualmente sejam colocadas em Portugal”,
sublinhou.Acrescentou que ainda não está
fechado nenhum programa de acolhimento, nem mesmo ao nível autárquico,
desconhecendo-se, para já, onde vão ficar, em que condições, durante
quanto tempo, o que é feito durante o tempo de acolhimento de
emergência, que apoios têm, etc.